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Reciclagem ainda não é prioridade

Reciclagem ainda não é prioridade

Faltam ecopontos, triagem de lixo e soluções para alguns resíduos na região

Todos os anos são enterradas toneladas e toneladas de resíduos que podiam ser reciclados. Uma situação que reduz o tempo de vida dos aterros sanitários da região e engorda a factura a pagar pelos municípios pelo depósito do lixo. Apesar das campanhas de sensibilização, o desperdício continua.

Edição de 07.04.2004 | Sociedade
A reciclagem de resíduos na região continua a ser uma gota de água no oceano que são os lixos domésticos produzidos em mais de vinte municípios. Há zonas onde o número de ecopontos (contentores de recolha selectiva) fica muito aquém das metas definidas há dois anos pelo Instituto de Resíduos. E continuam a faltar alternativas para muitos dos lixos que podiam ser reciclados ou reaproveitados, como as matérias verdes, e que engrossam o volume de lixos depositados nos três aterros que servem a região. Um dos casos de claro incumprimento situa-se na zona servida pelo aterro da Resitejo, na Chamusca, e que para além deste inclui os municípios do Entroncamento, Torres Novas, Barquinha, Tomar, Santarém, Alcanena e Golegã. Nesta área a relação de ecopontos para recolha de vidro, papel e pilhas é de um para mil habitantes. O dobro do que o Instituto de Resíduos tinha definido como meta em 2002.Só agora, passados dois anos, a Resitejo vai duplicar o número de contentores. E, segundo Diamantino Duarte, administrador-delegado da associação de municípios que depositam lixo no aterro da Chamusca, vai também dar-se a chegada dos embalões. Significa isto que até agora a reciclagem de embalagens não se fazia, sendo este tipo de detritos enterrado junto com o restante lixo doméstico. Para Diamantino Duarte não há dúvidas: “A reciclagem ainda está a dar os primeiros passos, sobretudo em relação às embalagens”. No aterro da Resiurb, em Almeirim, as embalagens já são recolhidas nos ecopontos desde a abertura do equipamento no ano 2000. Mas a existência dos contentores de pouco serviu, já que só há poucos meses estes resíduos começaram a ser encaminhados para reciclagem através do sistema do norte alentejano, Valnor. Já no que diz respeito à quantidade de contentores, a Resiurb vai à frente com o objectivo de passar a actual índice de 1 por 500 habitantes para 1/300. Neste sistema que serve os municípios de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Coruche, Salvaterra e parte da Chamusca, as quantidades de lixos que vão para reciclagem são uma ínfima parcela que não vai muito além dos dois por cento. Em 2003 foram depositadas no aterro um total de 59.781 toneladas de lixo enquanto nos ecopontos foram recolhidos 9.575 quilos entre vidro, papel e embalagens. No ano passado foram enterradas 460 toneladas de resíduos que podiam ter ido para reciclagem. Números que são uma amostragem do que se passa no resto da região. O aumento da reciclagem está dependente da construção de uma central de triagem prevista para o sistema da Chamusca e que vai servir, para além deste aterro, os de Almeirim e de Abrantes. A central visa a separação dos lixos evitando que uma grande parte vá parar ao aterro e devia ter sido construída na altura em que os equipamentos começaram a funcionar. Prevê-se agora que a estação comece a ser construída este mês (ver caixa). Mas esse não é o único problema. Basta passar por algumas localidades para verificar que a recolha dos resíduos dos ecopontos não é tão eficaz como devia. Algumas vezes encontram-se contentores a transbordar, o que desmotiva as pessoas de fazerem a separação dos lixos em casa. Depois faltam soluções para outros casos. As matérias verdes, resultantes de cortes de relva, de cortes de arbustos e árvores não têm um destino assegurado. A solução passa pela construção de uma central de compostagem que transforme os detritos em adubos para agricultura e para produção de biogás, que por sua vez é transformado em energia eléctrica. Só que o investimento é avultado, cerca de 10 milhões de euros, e não tem havido disponibilidade do Estado para tal. Pelas contas do administrador da Resiurb, Raul Figueiredo, se esta central fosse construída era possível reduzir entre 40 a 50 por cento o volume dos detritos depositados em aterros. De todos os sistemas de valorização de resíduos da região, o da Amartejo, em Abrantes, parece ser aquele em que a desorganização é maior. O aterro que serve os municípios de Sardoal, Abrantes e Mação, na nossa região, e ainda Vila do Rei (Castelo Branco) e Gavião (Portalegre), não tem noção concreta do lixo que vai para reciclagem. Sabe-se apenas que as autarquias de Abrantes e Sardoal contratualizam individualmente com as empresas de reciclagem o encaminhamento dos detritos. Um exemplo de que a valorização do ambiente ainda não é uma prioridade máxima na região e no país.
Reciclagem ainda não é prioridade

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