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Terrados mais caros e bancas mais pequenas

Novo mercado do Entroncamento é melhor mas não agrada a todos

O novo mercado semanal do Entroncamento melhorou em termos de organização do espaço, mas os vendedores queixam-se de terem ficado com menos espaço para montar as suas bancas e de terem de pagar mais pelo terrado.

Edição de 07.04.2004 | Sociedade
As tendas estendem-se ao longo de ruas bem demarcadas e o mercado, à primeira vista, parece mais organizado, mas não agrada a todos. Os vendedores queixam-se da diminuição do espaço e do preço do terrado. Apesar destes problemas, há quem compare o novo mercado do Entroncamento ao de Cascais.A algumas centenas de metros do local onde durante anos as bancas foram montadas de forma um pouco anárquica, o novo mercado das roupas, móveis e quinquilharias do Entroncamento decorre numa área vedada ao fundo da avenida da Estação, bem perto da estrada que conduz à Golegã. “Dantes estávamos melhor”, queixa-se a maioria dos habituais vendedores. Melhor porque tinham mais espaço, melhor porque pagavam menos de terrado. O preço cobrado pela autarquia era de dois euros e agora com alguns metros a menos por banca, a taxa é cinco vezes superior.“Pagamos muito mais aqui do que em qualquer outro mercado”, reclama João Vasco. “O presidente da câmara quer enriquecer de vez, qualquer dia temos de desistir”, acrescenta a mulher. Segundo afirmam, em Tomar o terrado custa 2,5 euros, em Torres Novas 0,75 euros e em Abrantes 20 euros por mês. “Aqui pagamos 12,5 euros, como é que pode ser?” O presidente da Câmara Municipal do Entroncamento justifica a medida dizendo que se limita a dar cumprimento a uma tabela existente há vários anos. “É falso dizerem que houve aumentos. A verdade é que a tabela existe desde Maio de 1995, o que acontecia é que não era cumprida. Mantém-se o preço de 0,50 euros por dois metros quadrados”, esclarece o autarca.No entanto, para os vendedores o custo efectivamente subiu e a juntar ao preço vem a diminuição do espaço. “Lá em baixo tinha nove metros agora fiquei com seis”, diz António Joaquim vendedor há mais de vinte anos neste mercado. A banca tem de ocupar menos um metro do que o comprimento total do terrado, para que de ambos os lados fique um estreito corredor de passagem.Vítor Salinas e a mulher Sara acrescentam mais uma reclamação e, utilizando o velho provérbio de “quem sabe da tenda é o tendeiro”, o vendedor lamenta que ninguém os tivesse querido ouvir na distribuição dos lugares. “Se nos tivessem perguntado onde nos deviam pôr isto não seria assim, está muito desorganizado”.Concordando com todas as críticas, Belo Fernandes Montes, residente na Chamusca, tem uma visão mais positiva: “É verdade que é caro e eu fiquei com menos três metros, mas estamos melhor aqui. Parece o mercado de Cascais”, afirma enquanto vai anunciando os preços e elogiando os artigos que tem para vender.O mercado mudou de local há três semanas e, no passado sábado a clientela não era muita. O tempo a ameaçar chuva não convidava a andar às compras e o número de agentes da PSP que circulavam por entre as bancas e “guardavam” as entradas era um pouco inibidor.“Com tanto polícia as pessoas até se assustam”, gracejava Belo Montes. Mas não havia problema nenhum a presença dos agentes era apenas uma medida preventiva. Para os habituais frequentadores do mercado a nova organização também causa alguma desorientação. Dantes as bancas que vendiam produtos idênticos estavam juntas, agora dispersam-se pelas várias ruas. Os pregões de roupa que se vende a 5 euros a peça seja qual for a escolha de cliente ouvem-se de diversos locais, mas quem sabe descobrir achados no meio dos montes de calças e camisolas acaba sempre por fazer boas compras.

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