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Trabalhar para a fotografia

Ideias e projectos que proporcionaram cerimónias vistosas caíram no esquecimento

Na região existem vários casos de lançamentos pomposos de primeiras pedras que nunca mais tiveram consequências. A esses momentos de propaganda e folclore político seguiu-se o vazio do esquecimento. Obras, nem vê-las!

Edição de 07.04.2004 | Sociedade
O lançamento de uma primeira pedra é um momento que proporciona belos momentos de propaganda. Quem nunca viu fotografias de um ministro ou de um autarca de colher de pedreiro na mão a colocar o cimento? O pior é depois, quando os projectos são remetidos para as gavetas do esquecimento.Há oito anos o então governo socialista lançou a primeira pedra do que seria o lar de idosos para bombeiros, em Torres Novas. O terreno cedido para o efeito, na Quinta do Mato, ainda lá está à espera que alguém se lembre da promessa. O projecto nem sequer chegou a passar para o papel, apesar da primeira pedra ter sido colocada com toda a pompa. Este é um dos exemplos de obras anunciadas que caíram no esquecimento, por falta de dinheiro ou de vontade.Por aquelas bandas a única coisa que cresce agora são as ervas. E do projecto nunca mais se ouviu falar. O próprio comandante dos Bombeiros de Torres Novas não tem dúvidas que o lançamento da primeira pedra não passou de “folclore”. Para Arnaldo Santos a cerimónia serviu apenas de pretexto para propaganda política. Membros do governo e o presidente da câmara fizeram poses triunfantes para a fotografia. Arnaldo Santos diz que desconhece os custos da obra. Só sabe que a “ideia não tem pés nem cabeça” e constituiu uma boa acção de marketing. O comandante já tentou saber se o projecto ainda está de pé, mas parece que a esta distância já ninguém sabe se a entidade promotora da obra é a câmara municipal ou a Liga dos Bombeiros Portugueses. Por falta de financiamento, por redefinição de prioridades, imbróglios vários, ou simplesmente por esquecimento, o certo é que se fossem juntas todas as primeiras pedras espalhadas na região nos últimos anos sempre se dava um avanço em obras anunciadas há anos e anos. Como a da sede da Tagusgás, em Santarém, que enferma do mesmo mal. Em 1999, o ministro da Economia ajudou a colocar a primeira pedra num terreno do Centro Nacional de Exposições sem estarem garantidas todas as condições para instalação da empresa. A presença de Pina Moura conferiu grandiosidade à cerimónia, valeu algumas fotografias curiosas, mas não passou disso. Na altura a autarquia de Santarém prometeu à empresa de gás natural a cedência de um terreno no complexo do CNEMA (Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas). A câmara, então gerida pelo presidente José Miguel Noras, nunca chegou a desembolsar os 100 mil euros necessários para adquirir o terreno. E o actual presidente do município, Rui Barreiro, fez saber que a compra do espaço para instalar a empresa não fazia parte das suas prioridades. Resta a primeira pedra, que um dia ainda pode dar uma boa peça de museu. A moda das tabuletasNos últimos tempos a moda de pôr ministros, secretários de Estado e presidentes de câmara no papel de pedreiros a assentarem pedras caiu em desuso. Se calhar por receio de que as promessas não venham a ser cumpridas. Agora basta lançar a ideia e colocar uma placa no respectivo terreno a dizer futuras instalações disto e daquilo. Mas às vezes os placares não resistem ao tempo e começam a apodrecer, como já acontece no caso do que anuncia o futuro quartel de bombeiros de Alcanede, concelho de Santarém. O projecto anda a marcar passo há doze anos. Os voluntários estão instalados numa cave sem as mínimas condições há 16 anos, quando o tempo previsto para a sua permanência no local provisório era de 10 anos. O Gabinete de Estudos Planeamento e Investimentos (GEPI) do Ministério da Administração Interna diz que o processo é prioritário. Mas atendendo à falta de dinheiro do Estado só deve haver luz ao fundo do túnel lá para 2005. Enquanto isso as folhas amareladas do projecto vão-se desfazendo nas paredes do quartel. Do mesmo mal se queixa a população da urbanização de São Domingos, em Santarém, que há anos aguarda pela construção da extensão de saúde no populoso bairro. A placa anunciando a obra está lá plantada há anos, mas, talvez por pudor, alguém já decidiu apagar parte da informação. Pelo menos até que o Governo decida canalizar fundos para a empreitada prometida há quase uma década.Das obras em banho-maria há anos, as instalações policiais surgem à cabeça da lista negra dos esquecimentos. Cartaxo e Vila franca de Xira são os casos mais emblemáticos. Há cinco anos a Câmara do Cartaxo cedeu um terreno para a construção do posto da PSP. Já nessa altura as actuais instalações da polícia eram degradantes, mas até agora só o projecto vai andando a passo de caracol. Segundo o presidente do município, Paulo Caldas, o que tem emperrado o processo é a falta de financiamento.Data de 1998 a intenção de se instalar a PSP de Vila Franca no antigo matadouro da cidade, depois de obras no edifício. Só que desse desígnio apenas é visível um acordo entre a câmara municipal e o Ministério da Administração Interna para a realização das obras. Até o projecto é uma miragem onde nem sequer existe um risco.

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