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Omníscio Serafim das Neves

Omníscio Serafim das Neves

Edição de 14.04.2004 | E-mails do outro mundo
Tu por acaso sabes se a atleta Susana Feitor alguma vez conseguiu acabar uma prova? Faço-te a pergunta porque, não sendo eu um entendido em coisas de atletismo, tenho a vaga impressão que nunca a vi cortar nenhuma meta. Nem em primeiro, nem em último lugar. Exagero. Falha minha. Falta de atenção, dirás tu. Pelo menos nos treinos, lá em Rio Maior, a rapariga é bem capaz de já ter chegado ao fim várias vezes. Acredito, acredito. Mas tens que reconhecer que a menina dos não sei quantos quilómetros marcha, passa a maior parte do tempo a marchar para consultórios médicos e gabinetes de fisioterapia. De cada vez que há uma prova, ponho-me à escuta e o que oiço?? Susana Feitor desistiu. Susana Feitor abandonou ao quilómetro sete. Susana Feitor fora da corrida. Serafim, se ela não é a campeã nacional das lesões deve andar muito perto do título. Nunca vi uma coisa assim. Aquilo não é azar é fatalidade genética. Eu se fosse a ela já tinha trocado de modalidade. Sabe-se lá!!! Se calhar está a perder-se uma potencial campeã da maratona. Ou do salto em altura. Ou do lançamento do disco.Se isto é frustrante para um pouco esclarecido adepto do atletismo, o que será para uma atleta que dá no duro para vencer e que, para além de não vencer ainda acaba por ir de charola para a enfermaria?! Tu sabes que eu não vou muito em esoterismos nem merdices sobrenaturais mas acho que já é tempo da Susana Feitor passar à acção e marchar para um santuário ou para um gabinete de bruxa para acabar com a mala pata.Olha que não era má ideia ela ir à Ladeira do Pinheiro, ali para os lados de Torres Novas. Ainda há dias li que aquilo é cada milagre que até Deus Nosso Senhor se admira. Vê lá que a irmandade da irmã Maria tem por lá um infantário ilegal há décadas e só agora é que a Segurança Social descobriu. Ele há cada uma!!!As crianças apareciam em documentários, em reportagens, na televisão, em revistas, em jornais, mas ninguém ligava pevide nem achava estranho. Provavelmente pensavam que eram todas filhas da irmã Maria. Acredito. Mas, cum caraças, mesmo para uma santa aquilo era filharada a mais! Até que, zangaram-se as comadres e descobriram-se as verdades. Algumas freiras acusaram o reitor do Santuário de apetites carnais menos próprios. De ser sexualmente atormentado pela visão de uma miúda de 13 anos. O acusado não gostou de ver expostas as suas fraquezas e correu com as acusadoras, acusando-as de maltratarem as crianças. A Segurança Social que sendo laica nunca tinha metido o nariz em assuntos religiosos, foi forçada a ir em peregrinação à Meia Via. Mesmo os grandes milagres acabam por chegar ao fim.Mas eu não chego ao fim sem te falar daquele artigo da semana passada relativo às primeiras pedras. Eu, como sabes, gosto muito de modalidades olímpicas. Do lançamento de primeiras pedras então, nem te conto. Pelo-me todo por qualquer lançamento de uma primeira pedra. O ritual. A pá de pedreiro. Os políticos engravatados com os sapatinhos italianos de mil e quinhentos euros arruinados por salpicos de cimento. Aquilo sim. Às vezes até mete bênção pelo meio.Mas como pudemos todos verificar, nem a água benta resulta quando a inépcia ataca. Tanta obra que não passa da primeira pedra!! Tanta promessa que não passa do papel!! O que nos vale é sabermos que às vezes é melhor assim. Tu já viste o que para aí vai de edifícios públicos a ganhar pó? Não valia mais nunca terem passado da primeira pedra??!!Um quebra-ossos à pedreiro doManuel Serra d’Aire
Omníscio Serafim das Neves

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