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Requalificar a zona ribeirinha

Plano de pormenor em discussão em Tomar

A Câmara de Tomar quer requalificar a zona ribeirinha do rio Nabão, desde o Estádio Municipal ao Açude de Pedra. O estudo prévio foi apresentado e a autarquia quer que ver os munícipes a discutir as diversas opções. Os primeiros comentários já foram registados. Os próximos cinco anos são de elaboração de projectos.

Edição de 14.04.2004 | Política
A tarde está quente mas o calor não impede Fernando Oliveira de plantar os seus melões, na terra que há 39 anos amanha e uma das que a Câmara de Tomar pretende ver integrada numa quinta pedagógica, no âmbito da requalificação da zona ribeirinha do Nabão, entre o parque desportivo e o Açude de Pedra.Fernando Oliveira já ouviu falar na requalificação da zona ribeirinha e mostra-se interessado. “Se fizerem como eu vi em Constância, fica muito bonito”. Quanto às hortas acha que não devem desaparecer. “Isto é tudo artesanal, vai-se buscar água à vala que dantes servia para fazer funcionar a fábrica e faz-se tudo à mão, não há motores nem nada”. A fábrica de que Fernando Oliveira fala é a antiga fiação de Tomar. O complexo industrial também vai ser alvo de requalificação. O edifício principal albergará um “equipamento cultural”. A antiga casa de administração será destinada a comércio e serviços. As oficinas, que remontam ao século XXIII, vão ser deitadas abaixo para darem lugar a prédios de habitação.As alterações previstas deixaram João Elvas, familiar do antigo proprietário da Fábrica de Fiação José dos Santos Simões, com os cabelos em pé. Na apresentação pública do estudo prévio, dia 31 de Março, o munícipe foi um dos que levantou a voz para discordar.“A câmara não deve fazer ali nada sem que peritos em arqueologia industrial façam um levantamento exaustivo das instalações, quanto mais não seja por respeito ao passado histórico da fábrica”, defende.João Elvas acusa o município de não estar a cumprir o que está previsto no plano estratégico elaborado no âmbito do Programa Polis para aquela zona da cidade, onde se refere que a fábrica de fiação e a sua zona envolvente deverá ter um projecto especial, tendo em conta a recuperação arqueológica industrial.“O que foi apresentado aos tomarenses já tem muito pouco de Polis e muito do programa Urbis, à procura da urbanização em massa”, refere, adiantando que o que a cidade precisa é de um parque de exposições e de um centro de negócios que ficariam muito bem instalados nas instalações industriais.De enxada na mão, Fernando Oliveira pouco percebe quando lhe falam em “casamento” entre o passado histórico e o desenvolvimento futuro da cidade. Para ele o mais importante mesmo é que não se deixe morrer a tradição de plantar couves e outros legumes nos terrenos sobranceiros ao rio Nabão.O velho agricultor até nem se importaria de mostrar aos mais novos como é que se faz agricultura à boa maneira portuguesa. “Se não forem os velhos quem é que percebe disto?” Questiona. Mas não acredita que ainda por cá ande quando a requalificação se concretizar e a quinta pedagógica for uma realidade. É que ele já tem 83 anos e projectos assim não se fazem de dum dia para o outro...quando se fazem.Margarida CabeleiraProjectos do futuroO estudo prévio do plano de pormenor do Açude de Pedra abrange uma área total de 64 hectares, ao longo do rio Nabão, entre o estádio Municipal e o açude. O projecto, que o presidente do município diz ser totalmente aberto a propostas “públicas e privadas” contempla alguns investimentos a ser feitos no âmbito do Programa Polis, como a ciclovia de quatro quilómetros.A maioria dos projectos é para ser feita ao longos dos próximos cinco anos, financiada pela autarquia e/ou por investidores privados. É o caso do hotel e dos apartamentos de luxo previstos para os terrenos da antiga fábrica de fiação.O estudo prévio prevê ainda que o parque de campismo – de quatro ou cinco estrelas e com 25 mil metros quadrados - fique instalado junto ao açude, enquanto o actual parque (encerrado há nove meses) dê lugar à praça de entrada para a mancha verde que se estenderá junto ao Nabão. A deslocação do parque de campismo é aliás a questão que está a levantar mais celeuma, entre a população, que quer mantê-lo junto à zona desportiva.Dentro dessa mancha verde existirão jardins, parques de merendas, parque infantil, campos de jogos, cais de acostagem, restaurantes, local de apoio à pesca e miradouros, bem como parques de estacionamento e sanitários.

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