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Incêndios de Verão chegaram na Primavera

Incêndios de Verão chegaram na Primavera

Comandantes de bombeiros da região à espera de um cenário negro para este ano

Os incêndios de Verão começaram na Primavera e os operacionais não estão tranquilos. A mobilização de meios humanos para o Europeu de futebol e a não substituição atempada de material obsoleto são grandes dores de cabeça. E tudo pode ser agravado se se mantiver o tempo seco nas próximas semanas.

Edição de 14.04.2004 | Sociedade
Um grande incêndio, sexta-feira, dia 9, no Sardoal, lançou o rastilho da preocupação junto de alguns comandantes de bombeiros da região. O fogo destruiu nove hectares de mato e o combate às chamas envolveu 113 bombeiros, apoiados por um helicóptero. Um cenário pouco habitual para esta época do ano e que faz prever um início de época de incêndios mais cedo. Nas perspectivas de alguns soldados da paz o Verão pode ser catastrófico.O adjunto de comando dos Bombeiros Voluntários de Santarém dá a voz às preocupações: “Estamos a verificar que vamos ter fogos mais cedo em relação à época oficial que começa em Julho”, desabafou Pedro Pinto. Se tal se verificar a situação pode tornar-se difícil, até porque alguns meios danificados nos incêndios do ano passado ainda não estão operacionais. Nas corporações onde existem maiores solicitações continuam a faltar carros de combate a incêndios e nalguns casos, como na Chamusca há situações que se arrastam num tempo já incompreensível. O comandante da corporação, Manuel Rufino, não esconde o descontentamento sobre o facto de ainda não ter sido reposta uma viatura acidentada em Agosto de 2001. Para além disso os Bombeiros da Chamusca estão sem auto-tanque. O que havia já não tinha condições de circulação e teve que ser abatido ao efectivo. É por estas e outras que as perspectivas são negras. O concelho do Sardoal escapou quase ileso aos grandes incêndios do Verão passado. Por isso o comandante dos Municipais, José Curado, anda de coração nas mãos. “Temos receio de ser penalizados este ano”. E não é para admirar. Desde dia 9 que a corporação todos os dias sai para apagar pequenos focos de incêndio. Às vezes mais de uma vez no mesmo dia. Casos idênticos têm ocorrido na zona de Almeirim. O que parece incrível é que estes pequenos fogos, que podem originar grandes incêndios, como o de sexta-feira, são provocados por queimadas. “As pessoas facilitam um bocado. Não têm cuidado nem noção que a queima dos restos arbóreos da floresta podem descontrolar-se e provocar casos aflitivos”, sustentou o comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche, Rafael Rodrigues. Nesse sentido o comandante da corporação de Almeirim, José Alberto Vitorino, defende a regulamentação da lei das queimadas e a aplicação de multas pesadas aos prevaricadores. É que acontece muitas vezes, exemplifica o homólogo de Coruche, as pessoas fazerem queimadas sem avisar os bombeiros. A manter-se a ausência de chuva nestes meses de Abril e Maio e com a subida das temperaturas a ajudar, os problemas podem dar em grandes dores de cabeça. “Estamos preocupados porque isso faz com que haja matéria seca nas florestas e, logo, de fácil combustão”, reforçou Rafael Rodrigues. Em termos de operacionalidade o panorama actual também não faz adivinhar nada de bom. Com o início do campeonato de futebol Euro 2004, em Junho, e com o envolvimento dos bombeiros na sua segurança, é provável que exista falta de meios. No entender de Pedro Pinto, dos Voluntários de Santarém, vai haver muitas solicitações nessa altura. “Se calhar nalgumas corporações vão registar-se dificuldades de mobilização de pessoal”, vaticinou. “Se nesta altura já temos a ocorrência de fogos, que obrigam à mobilização de centenas de bombeiros, se temos que combater as chamas com carros velhos ou estafados, no Verão com os meios mais dispersos vai ser complicado”, reforçou o comandante do Sardoal. Mostrando-se apreensivo, o comandante da Chamusca, que o ano passado viveu momentos de agonia no concelho, alerta para a necessidade de se aumentar a vigilância das matas. E se ela começar mais cedo, melhor. Quem já está a aplicar a ideia é a corporação do Sardoal, que recentemente começou a sair para o terreno sempre que as temperaturas aumentam e a humidade relativa baixa. Até porque o rápido ataque às chamas pode evitar a catástrofe.
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