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Obras estrangulam negócio

Obras estrangulam negócio

Vendedores do mercado diário do Entroncamento queixam-se

As obras de requalificação da zona envolvente ao mercado diário do Entroncamento estão a estrangular o negócio. Os vendedores queixam-se. A câmara municipal afirma que tudo fez para minimizar os impactos negativos.

Edição de 14.04.2004 | Sociedade
Sábado, dez da manhã, mercado diário do Entroncamento. Os vendedores apregoam os produtos, tentando chamar a atenção dos clientes que passam, bem menos do que o habitual. Lá fora, o caos é total, com os carros arrumados de qualquer jeito, em qualquer buraco que dê para estacionar. É assim desde que a Câmara decidiu requalificar o espaço envolvente ao edifício, isolando praticamente o mercado. “Isto está mau, cada vez se vende menos porque as pessoas não têm onde estacionar” queixa-se uma vendedora a uma freguesa, enquanto lhe faz o troco. “Tem de ter calma, depois melhora”, responde-lhe a cliente. Paula Ribeiro é das poucas habitantes do Entroncamento ouvidas pela nossa reportagem que parece entender as obras, apesar de não saber exactamente o que a autarquia pretende fazer naquele espaço – “é um parque de estacionamento subterrâneo com um jardim por cima não é?”, pergunta.Para a cliente habitual do mercado há que fazer alguns sacrifícios para que as coisas melhorem. “Acabou-se o estacionamento aqui, deixa-se o carro mais longe” refere, adiantando que as pessoas também têm de colaborar.O problema do estacionamento não afecta António e Amélia Lopes, uma vez que levam o “automóvel” para dentro do mercado, como dizem na brincadeira. O casal prefere andar a pé, socorrendo-se do carrinho de compras para guardar as frutas e os legumes. O pior, diz, é o pó levantado pelas obras e os ziguezagues que há que fazer para chegar ao edifício.A falta de estacionamento e as ruas esburacadas e em terra batida afugentam os clientes, que preferem recorrer às grandes superfícies. “Pelo menos aí há sempre lugar para deixar o carro”, refere Luísa Matos, que no sábado foi ao mercado exclusivamente para comprar flores – “aqui são mais baratas”.Para a habitante da zona norte da cidade, a câmara deveria fazer as obras de forma faseada para não prejudicar em demasia quem se dirige diariamente ao mercado, seja vendedor ou consumidor. A remodelação incide não só na praça Salgueiro Maia, mas também em quatro ruas adjacentes – António Lucas, Manuel Rodrigues Gameiro, D. Nuno Álvares Pereira e José Pires Dias e as intervenções avançam em simultâneo.A Câmara do Entroncamento tentou minimizar o impacto das obras mas o vice-presidente, Luís Boavida, reconhece que é impossível não causar transtornos. “ A praça Salgueiro Maia, onde está a ser feito o parque de estacionamento subterrâneo vai estar entaipada, pelo menos nove meses. A requalificação à superfície dos outros arruamentos é feita de forma faseada. A ideia é abrir o parque ainda antes de fazer o arranjo à superfície da praça e abrir os arruamentos à medida que fiquem prontos”. Uma das ruas actualmente em obras vai ficar aberta ao trânsito já no final deste mês. Alguns comerciantes dizem que a autarquia apenas os convocou para uma reunião “dois dias antes de começarem as obras”, quando as mesmas eram “um facto consumado”. Uma versão que o responsável municipal ouvido por O MIRANTE contesta. “Há sempre pessoas mais atentas e outras menos atentas. A reunião não foi feita com dois dias de antecedência mas com umas duas semanas. E foi distribuído um prospecto com a evolução temporal da obra. Tudo foi estudado e planeado e foram ouvidas as opiniões de quem as entendeu manifestar”.Helena Agostinho, proprietária do talho Carlos e Lena, queixa-se também da diminuição de clientes e diz mesmo que há dias em que não lhe entra um comprador no talho. “Estamos metidos numa ilha, sem botes para nos salvar” refere quem há 35 anos vende no mercado do Entroncamento.O vice-presidente, Luís Boavida, compreende a situação mas reforça a ideia de que tudo foi feito para minorar os incómodos. “Reconheço que as obras podem ser um travão temporário ao comércio mas se fizéssemos primeiro o parque de estacionamento e a requalificação da praça e só depois os arranjos dos restantes arruamento, em vez de um ano de obras iríamos ter dois. E isso seria muito mais prejudicial.” Margarida CabeleiraBancas a mais à entrada e bancas vazias no centroÀ entrada do mercado, onde deveria estar plantado um jardim interior, galinhas, frangos, pintos e coelhos convivem lado a lado com frutas e legumes. Uma situação criticada por alguns comerciantes, que falam em falta de higiene e salubridade pública.Quando se procedeu à transferência do mercado velho para o novo, houve muitos vendedores que ficaram sem banca, tendo a autarquia arranjado como alternativa a zona onde deveria funcionar um jardim interior. Entretanto muitos comerciantes foram desistindo da venda no mercado, deixando as bancas vazias, tal como continuam hoje. Do outro lado amontoam-se vendedores de galináceos, coelhos e outros animais, lado a lado com a venda de frutas e legumes. “Uma falta de respeito pela saúde das pessoas”A culpa, dizem, é dos responsáveis camarários pelo mercado. Arminda Anastácio só vende ao sábado mas a câmara exigiu-lhe o mesmo valor de quem utiliza o espaço diariamente. A comerciante de Chancelaria, Torres Novas, queixa-se de ter uma banca pequenina, de o veterinário andar sempre em cima dela, exigindo-lhe uma vitrine, mas fechar os olhos à convivência pouco saudável de animais, frutas e legumes.Sobre estas queixas, Luís Boavida refere que o executivo não tem conhecimento de qualquer contra-indicação sobre a convivência entre animais em jaula e as frutas e legumes. “O veterinário que acompanha diariamente as vendas e os inspectores da IGAE que o visitam regularmente nunca nos fizeram chegar qualquer advertência relativamente a essa situação”, diz o vice-presidente.“Estou convicto que algumas reclamações têm origem em pequenos ciúmes e invejas”, refere o autarca, já que aquela zona de entrada é a mais procurada pelos clientes. Relativamente a uma possível mudança de alguns vendedores para as bancas vazias, Luís Boavida admite que a situação pode vir a ser estudada, embora a transferência não seja tão fácil como o desejado.É que o mercado do Entroncamento está dividido por tipo de produtos – peixe, frutas e legumes, pão e bolos, flores, e por aí fora. E se há bancas vazias na zona do pão, por exemplo, não faz sentido mudar para ali vendedores de legumes.“Tem de se analisar em que zona estão as bancas vazias e o que eventualmente para lá pode ser transferido”, finaliza o vice-presidente.Câmara disponível para melhorar condiçõesMercado grossista muda de localNa quinta-feira os comerciantes do mercado grossista do Entroncamento mudaram-se de armas e bagagens para um novo espaço, onde funciona actualmente a feira semanal (sábados). Uma mudança que, como todas as mudanças, provocou reparos e reclamações.Os retalhistas foram impedidos de levar as camionetas para dentro do recinto e isso não agradou à maioria. O vice-presidente da câmara, Luís Boavida, explicou a O MIRANTE que a decisão se deve ao facto do recinto ter os lotes devidamente marcados com estacas e de a entrada e saída constante de veículos de mercadorias poder estragar essas marcações.De acordo com o autarca os retalhistas podem estacionar as suas carrinhas na rua da Companhia Divisionária de Manutenção de Material, contígua ao local onde se faz o mercado grossista.“A única coisa que separa os dois espaços é uma rede, que tem vários acessos para peões e também para os carrinhos que os retalhistas costumam usar”, refere.Luís Boavida admite todavia que ainda existem algumas arestas a limar relativamente ao funcionamento do novo mercado grossista, nomeadamente a falta de alguns passadiços por cima das valas de escoamento de água existente, de modo a que os carrinhos dos retalhistas possam passar com maior facilidade. “Há abertura para afinarmos as coisas, mas tem de haver regras, senão fica a barafunda total”, refere o Vice-presidente da câmara.
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