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Suspenso por interferir nas investigações

Suspenso por interferir nas investigações

Comandante dos Bombeiros da Golegã terá pressionado testemunhas

O Comandante dos Bombeiros Voluntários da Golegã a quem tinha sido instaurado um processo, no final do ano passado, por utilização indevida de viatura, abuso de poder e tentativas de agressão, foi agora suspenso por suspeita de estar a pressionar testemunhas.

Edição de 14.04.2004 | Sociedade
O comandante dos Bombeiros Voluntários da Golegã foi suspenso das funções quinta-feira, dia 8. Pedro Silva vai ficar afastado da corporação por um tempo máximo de 60 dias. A medida foi aplicada devido a interferências no âmbito de um processo disciplinar de que está a ser alvo. Segundo fonte ligada à instrução do processo, a medida de suspensão preventiva tem em vista assegurar a normal prossecução das investigações, o que não estava a acontecer. Pedro Silva terá, alegadamente, nos últimos tempos, pressionado testemunhas arroladas no âmbito do processo. A aplicação da suspensão foi confirmada pelo coordenador distrital do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), Joaquim Chambel, que ordenou a abertura de um processo disciplinar no final do ano passado por alegadas irregularidades. O tempo de suspensão é o suficiente para que o processo disciplinar possa ficar concluído, estimando-se que tal possa acontecer antes desse tempo.Com o afastamento de Pedro Silva, a corporação da Golegã está a ser comandada pelo elemento mais graduado ao serviço, neste caso o adjunto de comando, Carlos Sequita. Recorde-se que a coordenação distrital do SNBPC tinha instaurado um processo ao comandante dos Bombeiros Voluntários da Golegã, no início de Dezembro de 2003, por utilização indevida de viatura, abuso de poder e tentativas de agressão. Antes da decisão de instaurar o processo disciplinar tinha decorrido um inquérito, iniciado em Janeiro de 2003, cujas conclusões apontavam para irregularidades e aconselhava-se a abertura do respectivo processo. Para o efeito foi nomeado como instrutor das investigações o coordenador do serviço municipal de Protecção Civil de Constância e comandante do quadro de honra da corporação local, Avô Dias. Em causa estão comportamentos do comandante Pedro Silva denunciados por um grupo de bombeiros em Agosto de 2002. Nessa altura os 9 bombeiros que se queixaram do comandante não quiseram falar publicamente. Mas em Fevereiro de 2003 doze elementos da corporação decidiram quebrar o silêncio e acusar Pedro Silva de utilizar viaturas de comando para satisfação de interesses pessoais. Do rol de irregularidades denunciadas conta-se também a existência de um civil a formar piquete com dois bombeiros e que se encontrava de serviço 24 horas por dia. Prepotência, falta de respeito hierárquico, com favorecimento de uns em detrimento de outros, foram outras das queixas tornadas públicas. Alguns dos 12 bombeiros, que entretanto saíram da corporação incompatibilizados com o comandante, garantiram que receberam “agressões verbais via telefone” quando começaram a denunciar o que se passava. Estes elementos acusaram ainda o comandante de os ter insultado quando se dirigiram ao quartel para levantar o seu material pessoal. E deparam-se com os cacifos arrombados e completamente vazios.Barco incendiado no quartel dos Bombeiros A Polícia Judiciária está a investigar em que circunstâncias ocorreu um incêndio num barco dos Bombeiros Voluntários da Golegã (BVG) que se encontrava nas instalações da corporação. O caso, algo insólito, teve lugar há cerca de 20 dias, segundo confirmou o presidente da direcção dos bombeiros, Rui Sardinha. Calcula-se que a situação possa ter ocorrido devido ao corte de uma corda de nylon que envolve a embarcação pneumática e que serve de pega onde os ocupantes se agarram. Presume-se que essa operação terá sido executada com um isqueiro e devido à combustão lenta da corda o fogo pegou no barco, destruindo uma das partes laterais. No entender de Rui Sardinha está-se perante “um acidente”, desconhecendo-se neste momento quem terá sido o responsável. A mesma tese é alvitrada pelo coordenador distrital do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Joaquim Chambel, que superintende as corporações da região. No entanto, o presidente dos BVG não descura outras hipóteses ou suposições, que só podem ser confirmadas após terminarem as investigações. Na altura em que ocorreu o caso foi chamada a GNR para tomar conta da ocorrência e mais tarde foi solicitada também a presença da Polícia Judiciária.
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