uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Conquistas de Abril em perigo

Dirigente comunista deixa alerta em Santarém
Edição de 21.04.2004 | Política
O dirigente comunista Domingos Abrantes disse, na noite de quinta-feira, em Santarém, que Portugal vive “um momento difícil e perigoso”, resultado de uma “contra- revolução”, liderada pelos que foram derrotados em 1974, que tem vindo a destruir “as grandes conquistas de Abril”.Domingos Abrantes falava num debate sobre “A Resistência até ao 25 de Abril”, promovido pela Comissão Concelhia de Santarém do PCP, para uma plateia de pouco mais de três dezenas de pessoas, um terço das quais jovens, que o foram ouvir ao auditório da Casa do Brasil.Considerando que os últimos 28 anos foram de “luta heróica”, para tentar contrariar a “contra-Revolução” que tem vindo a derrotar as conquistas de Abril, Domingos Abrantes reconheceu uma “originalidade” a esta “contra- Revolução”, já que tem sido feita “legalmente”, integrando, em sucessivas revisões da Constituição, a liquidação de conquistas como as nacionalizações ou a reforma agrária.Afirmando que aqueles que foram derrotados em 1974 são os que hoje dominam nos planos económico, social e político, Domingos Abrantes encontrou aí explicação para o facto de se estar a tentar apagar que houve uma Revolução, falando-se em “evolução” para “fazer esquecer, negar,” que ela existiu e passar a ideia de que “foi desnecessária”, pois o que fez foi evitar a evolução do regime.Domingos Abrantes referia-se ao slogan “Portugal é evolução”, lançado pelo Governo para servir de mote ao programa de comemoração dos 30 anos do 25 de Abril e que “deixa cair” o “R” da palavra “Revolução”.O dirigente comunista realçou a “singularidade” da Revolução de 1974, “feita sem o Poder”, o que permitiu que as forças populares fossem “impondo a Revolução”, um “bem” que acabou por se tornar num “mal” devido a divisões internas nas forças que a poderiam sustentar.O debate com a assistência ficou marcada pelo testemunho de dois comunistas resistentes, octogenários, José Máximo e Teófilo Vieira, que experimentaram a violência do regime que ajudaram a derrubar.As comemorações dos 30 anos do 25 de Abril promovidas pela concelhia de Santarém do PCP concluem-se a 24 de Abril com a inauguração da exposição “Que Viva Abril”, num largo da cidade.O MIRANTE/Lusa

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...