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Atentado ambiental em área protegida

Atentado ambiental em área protegida

Destruída a zona de lazer do açude do Monte da Barca, em Coruche

A zona de lazer do açude do Monte da Barca foi arrasada há cerca de um mês. Árvores abatidas, mesas, bancos e fogareiros destruídos foram algumas das “atrocidades” praticados naquela área protegida, onde até a linha telefónica foi cortada.

Edição de 21.04.2004 | Sociedade
A Câmara Municipal de Coruche acusa o proprietário do terreno onde está situada a zona de lazer do açude do Monte da Barca de abater árvores, alterar e anular caminhos, bem como de destruir mesas, bancos e fogareiros, instalados numa zona que atrai milhares de visitantes durante todo o ano.Numa área com cerca de quatro hectares, terão sido cortados cerca de 100 pinheiros mansos, com as ramadas sobrantes a serem queimadas e parte delas lançadas na água. Foi ainda destruída uma dezena das 19 mesas do parque de merendas e enterrados quase 30 fogareiros. Tudo se terá passado em meados de Março.A acção de destruição foi ao ponto de, em toda a zona, a terra ter sido remexida, com o intuito de evitar o acesso de viaturas ao local. Actualmente, nem um jipe se consegue movimentar com facilidade num terreno que mais parece um batatal.Estes actos não constituem uma novidade para os dois vigilantes da natureza encarregues de vigiar 800 hectares daquele sítio classificado como área protegida, pois já este mês foram criadas cerca de 20 lombas em terra ao longo do caminho de três quilómetros, que dificultam o acesso à zona de lazer.A própria sinalização colocada à entrada da Estrada Na-cional (EN) 114, indicando a localização do açude do Monte da Barca também já não existe. Um vigilante da natureza ainda assistiu ao corte de ramadas dos pinheiros, numa acção que terá começado de madrugada e que foi detectada cerca do meio-dia. José Alberto Carvalho elaborou um auto de notícia sobre o corte que estava a ser efectuado por quatro elementos. Ainda são visíveis os resquícios de uma série de queimadas realizadas no local.O conjunto de estragos leva José Alberto Carvalho a classificar tudo de uma perda irreparável para a floresta. “Estas árvores vão demorar dezenas de anos a crescer. O controlo e vigilância desta área é agora mais difícil, porque as pessoas passam a deslocar-se para locais mais sensíveis do terreno, fazendo comida e deitando lixo onde não há condições”, analisou.Uma acção que, em seu entender, acaba por distribuir os problemas pelos restantes proprietários dos terrenos em volta do açude do Monte da Barca.Para o presidente da Câmara de Coruche, Dionísio Mendes (PS), o proprietário do terreno em causa actuou de forma a afrontar os utentes da barragem, tendo a autarquia decidido, em reunião do executivo de 7 de Abril, remeter o assunto para as instâncias judiciais.Também o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e a directora do Parque Nacional da Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC), que dirige os sítios classificados do ICN, já foram informados do sucedido.Câmara de Coruche, ICN e os proprietários são responsáveis pela gestão do espaço de Paisagem Protegida de Interesse Concelhio do Açude do Monte da Barca desde há 25 anos.A autarquia pretende ainda que se defina a implementação de medidas e a instalação de equipamentos que potenciem as virtudes naturais do Açude do Monte da Barca, bem como a realização de um estudo de impacto ambiental, que apure responsabilidades e ponha em prática um plano de ordenamento e gestão.O MIRANTE tentou contactar o proprietário do terreno em causa para ouvir a sua versão dos acontecimentos, mas da residência de Manuel Francisco Vilela não nos confirmaram sequer se seria ele o pro-prietário.Recorde-se que centenas de pessoas visitam semanalmente o Açude do Monte da Barca para a realização de piqueniques, pesca e actividades aquáticas sem motor.
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