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Clientes “desviados”

Clientes “desviados”

Comerciantes da rua Arco dos Mansos, em Santarém, fartos de obras e achados arqueológicos
Edição de 21.04.2004 | Sociedade
Os comerciantes de uma rua do centro histórico de Santarém estão descontentes com o arrastamento das obras do projecto de saneamento na zona. Uma rua com apenas algumas dezenas de metros de extensão está cheia de buracos e máquinas que têm afastado os clientes. Elsa Galvão é florista na rua Arco dos Mansos. Um negócio de cinco anos que a partir do início do mês de Abril começou a dar para o torto com o começo das obras de saneamento na rua, que se têm arrastado devido achados arqueológicos encontrados no local.Desde há uma semana que quase ninguém entra na loja e, segundo a proprietária, os clientes devem pensar que o estabelecimento se encontra fechado, dado o “estado de sítio” do local. “Tenho retroescavadoras, camiões e jipes encostados à loja e ao toldo e nem as flores que estão em exposição no passeio, que pago em aluguer de venda na via pública, escapam. Desde sexta-feira, a partir das 16 horas, que os senhores do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) decretaram que ninguém mexe nesta rua e, pelos vistos, para a próxima Páscoa ainda vamos estar nisto”, desabafou Elsa Galvão a O MIRANTE.A florista questiona ainda o porquê de tanto interesse na histórica Porta de Mansos, quando a rua se chama Arco de Mansos, por estar precisamente sobre o local antigo.Praticamente em frente à florista está A Casinha, uma loja de roupa de Letite Almeida, que também se manifesta contra a situação actual. Em seu entender, as obras de saneamento começaram por andar bem de início, mas assim que se “embateu” num troço de muralha começaram os problemas.“Tenho de estar de porta e janelas abertas, com a roupa e o interior da loja sujeitos à poeira intensa, para que os clientes saibam que temos a loja aberta”, salientou a comerciante, referindo a ocupação dos passeios por máquinas e camiões, que dificultam o acesso às lojas da rua. Por isso defende que, caso a situação se arraste por muito mais tempo, os comerciantes se devem juntar para pedir explicações à Câmara de Santarém.O mesmo problema, mas a duplicar, vivem Maria Helena Lopes e Carmindo da Costa. O casal de comerciantes tem duas lojas na rua Arco dos Mansos, uma de artesanato (O Artesanato) e outra de produtos tradicionais (Dom Vinho), situadas apenas alguns metros adiante. Com o estado da rua estão a ter um duplo prejuízo. “Os clientes simplesmente deixaram de passar aqui, quando nós dependemos bastante das pessoas que estão de passagem”, recordou Carmindo da Costa, acrescentando que as despesas e rendas por pagar surgem todos os meses.Carmindo da Costa deixou mesmo a loja encerrada nos últimos três dias por não haver ninguém a passar junto à entrada do seu estabelecimento. Na sua opinião as obras têm que ser feitas, mas considerou que há que trabalhar mais rápido, alegando o fraco negócio.O vereador da Câmara de Santarém com o pelouro das obras municipais, Manuel Afonso, reconhece a razão e o incómodo por que passam os comerciantes daquela rua, mas recordou a premência das obras de substituição da já centenária rede de saneamento que juntava águas pluviais e domésticas. Obras que têm um prazo de execução previsto de 120 dias, estendendo-se pelas ruas João Afonso e 1.º de Dezembro.“Há que criar condições de mobilidade para peões e comerciantes, mas também verificar que quando as máquinas estão a executar trabalhos as pessoas não devem passar no local”, sustentou o vereador.
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