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Criança nasce num automóvel

Criança nasce num automóvel

Bombeiros de Torres Novas não tiveram tempo de colocar a mãe na ambulância

Um automóvel teve de servir de sala de partos improvisada. A pequena Beatriz não quis esperar pela ambulância que a devia transportar com a mãe para Abrantes e resolveu nascer à porta do quartel dos bombeiros de Torres Novas.

Edição de 21.04.2004 | Sociedade
“Espero que nunca ninguém se veja nesta situação” desabafa Luís Trindade no dia seguinte ao nascimento da sua filha Beatriz, que, contra tudo o que seria de prever, nasceu dentro do carro da família à porta do quartel dos Bombeiros Voluntários Torrejanos, em Torres Novas.É usual dizer-se que “tudo está bem, quando acaba bem” e o provérbio tem força de razão para a família Trindade e para os bombeiros que num ápice se transformaram em obstetras a fim de acudir ao nascimento da Beatriz, a filha mais nova de Maria do Carmo e Luís Trindade.Beatriz, com os seus 3,300 kg, é uma criança roliça e saudável que resolveu antecipar o nascimento em duas semanas. O parto estava previsto para Maio, mas na madrugada de quinta-feira, 15 de Abril, Maria do Carmo Trindade começou a sentir dores fortes e, com o marido, resolveu ir ao hospital. “Mas não pensei que a criança estava para nascer”, diz Maria do Carmo. Como residem em Almonda, freguesia da Zibreira (Torres Novas), encaminharam-se para o hospital mais próximo para Maria do Carmo ser consultada.“A minha mulher entrou comigo na sala de espera e quando me dirigi ao guichê para fazer a inscrição a recepcionista viu que se tratava de uma gravidez e de imediato disse que as grávidas iam para Abrantes”, conta Luís Trindade.Embora indignado, Luís Trindade não argumentou: “Estávamos convencidos que o parto era para Maio”. Meteram-se de novo no carro com a intenção de seguirem para Abrantes, mas pouco depois de saírem do hospital rebentaram as águas a Maria do Carmo e o passo seguinte foi pedir socorro aos bombeiros.“Eles têm equipamentos e era preferível a minha mulher ir de ambulância para Abrantes”, continuou o pai de Beatriz. Mas tudo se precipitou. Luís deixou a mulher e a filha Inês, de um ano, no carro e pediu uma ambulância. O recepcionista alertou o graduado de serviço, José Manuel Razões, que, de imediato, mandou descer uma bombeira e dois bombeiros. Enquanto os bombeiros se equipavam, Maria do Carmo, sem nunca perder a calma buzinou. Luís saiu a correr e viu que a criança estava a nascer. A bombeira Ermelinda Ferreira chegou logo de seguida e quando os colegas se aproximaram do carro para levarem a senhora para a ambulância já Ermelinda tinha a bebé nos braços.“Foi buscar o kit de partos, cortei o cordão umbilical, coloquei os grampos e felizmente tudo correu bem”, contava ainda mal refeito da atrapalhação José Manuel Razões, que nunca tinha passado por semelhante aperto: “Sou bombeiro há 19 anos, já vi muita coisa, mas uma destas nunca me tinha acontecido. Apanhei uma dor de cabeça...”Apesar das condições, Maria do Carmo conta que não se atrapalhou nem pensou em nada: “Só queria que a bebé nascesse bem, nem me lembrei onde estava e quem me estava a assistir”.A bebé, a Beatriz, trazia o cordão umbilical enrolado ao pescoço, mas chorou no primeiro momento. “A mãe e a filha mais velha, que só depois vimos que estava na cadeirinha, não disseram nada. Não ouvi um gemido por parte da senhora, é uma mãe extraordinária”, continuava o chefe Razões.Luís Trindade, de 30 anos, e Maria do Carmo, de 28, nunca tinham imaginado que o seu Ford Ranger seria a sala de partos da sua filha Beatriz. Maria do Carmo estava sentada no banco do pendura e para facilitar o nascimento da Beatriz colocou os pés em cima do tabliê.Mãe e filha foram levadas pelos bombeiros para o Hospital de Torres Novas, e depois de observadas foram transportadas para o Hospital de Abrantes, de onde tiveram alta no sábado.Segundo Luís Trindade, já da primeira filha o parto foi muito rápido. “Felizmente correu tudo bem mas espero que nunca ninguém se veja numa situação destas”, confessava. Embora se considere uma pessoa calma – “sou condutor de pesados e temos de ser calmos” – esta foi demais.
Criança nasce num automóvel

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