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Como o vinho do Porto”

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José Cid percorreu 35 anos de canções no Coliseu de Lisboa

José Cid é um cantor de ontem, de hoje e de amanhã. Na sexta-feira, o Coliseu dos Recreios rendeu-se ao talento do compositor da Chamusca que durante duas horas percorreu 35 anos de canções.

Edição de 28.04.2004 | Cultura e Lazer
Quando se ouviu a voz de José Cid surgiram os primeiros aplausos e de imediato um silêncio profundo. O cantor da Chamusca abriu a noite memorável do Coliseu dos Recreios, na sexta-feira, 23 de Abril, com “Cantiga Partindo-se”, uma canção cantada à capela. Perante um público de três gerações, com dezenas de jovens com menos de 30 anos, o cantor e compositor deu largas ao seu talento e percorreu mais de 35 anos de canções.No palco, um piano preto e um castiçal de cristal em tons de azul e branco com três velas acesas, que retirou do sótão, onde guarda um conjunto de antiguidades. Um toque pessoal do autor e compositor que surgiu vestido de jeans, com um blazer azul claro e uma gravata em tons de azul para condizer com os jogos de luzes. “Sou sportinguista, gosto muito do verde, mas aqui o azul e o branco deram um ar mais intimista”, realçou.Finalmente, aos 62 anos e com uma carreira de quatro décadas, José Cid deu um concerto na mítica sala das Portas de Santo Antão, em Lisboa. “Já cantei em salas de maior dimensão”, recordou a O MIRANTE. O Sun City em Joanesburgo (África do Sul), o Teatro Nacional de Sidney (Austrália) e o maior palco de Tóquio (Japão), onde ganhou o Grande Prémio Internacional, são algumas das referências.O ritmo acústico das primeiras baladas acompanhadas ao piano conteve um público que, à segunda canção, já tinha mostrado que estava ali para colaborar e para se divertir. “A Rosa que te Dei” já foi cantada a meias e o espectáculo foi crescendo de entusiasmo com casais agarrados a dançar na sala, jovens a fazerem o comboio e até uma invasão do palco na última canção antes do primeiro “encore”. Foram mais de duas dezenas de canções e quase duas horas em palco, divididas em duas partes.“Estes miúdos são malucos por mim e adoram as minhas canções”, disse a O MIRANTE.Quando José Cid dedicou uma das canções a Luís Represas, um jovem gritou na sala “és o maior!”. Ficou a dúvida para quem seria o elogio e o público aplaudiu os dois monstros da música portuguesa. O cantor da Chamusca é um sonhador e a canção escrita pela sua única filha, Ana Sofia Cid contou um pouco da história do homem que gosta de estar sozinho e não tem medo da solidão. O concerto de José Cid foi valorizado por oito músicos “fantásticos”, incluindo o “irmão escocês Mike Sargent”, o tal que com Tó-Zé Brito, Michel e Cid formou o quarteto 1111. Já lá vão mais de 30 anos, mas canções como “A Lenda de El Rei D. Sebastião” ainda estão bem vivas na memória de todos e o coliseu provou-o com um dos momentos mais emotivos da noite.Como diz uma das suas canções mais populares, José Cid nasceu mesmo para a música. Uma “velha” admiradora que se deslocou de Leiria para ver o seu ídolo garantiu que a idade não pesa. “O Zé é como o vinho do Porto, está cada vez a cantar melhor”. O público reconheceu o seu talento, obrigou-o a regressar duas vezes ao palco e a prolongar um concerto que, como disse Tó-Zé Brito no final, “fará história”. O editor foi dar um abraço a José Cid e cruzou-se com Luís Represas, um dos sobrinhos do Ti Zé que também foi ao camarim abraçar o cantor. “Foi fantástico, foi um grande concerto”, disse o ex-vocalista dos Trovante.José Cid considerou que foi “um concerto simpático” e lamentou que a sala não tivesse enchido. “Não sou um cantor bonito que arraste meninas que venham só para me ver. Quem veio é porque gosta”, disse a O MIRANTE. Os amigos do cantor disseram que “quem ficou a perder foram os ausentes”. Meia hora depois do final do espectáculo, dezenas de admiradores ainda esperavam pela oportunidade para felicitar José Cid e pedir-lhe o autógrafo que vai perpetuar aquele momento único. Um homem de meia idade levava na mão um cartaz gigante do cantor. “É mais um para a minha garagem. O Cid é o melhor cantor português”, disse. Enquanto a gravação do concerto não for editada em DVD, o público dispõe de uma antologia com os maio-res êxitos da carreira do cantor. Na forja estão dois álbuns, um com “rapazes” da geração de Cid e outro com os músicos da banda Alémmar liderada pelo seu amigo Nuno Barroso, filho de Pedro Barroso. “Vou gravando no meu estúdio que é para quando perder a vozita continuar a ouvir-me”, disse. José Cid não tem medo de perder a voz, mas sabe que não é eterna. “Hoje sinto-me a cantar como há 25 anos. Estou bem”, vincou.No dia seguinte ao Coliseu, o cantor provou-o no Crato onde cantou durante mais de duas horas e fez vários “encores”. “O público ou gosta muito de mim ou detesta-me”, referiu.José Cid tem no seu palmarés três discos de platina, oito de ouro e 25 de prata e o orgulho de ter derrotado Elton John no Festival da Canção de Tóquio com a canção “Ontem, Hoje e Amanhã” cantada em inglês. Nelson Silva Lopes
Como o vinho do Porto”

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