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Imprensa regional é uma alternativa

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Baptista Bastos falou de jornalismo e literatura em Alpiarça

Cáustico e polémico, Baptista Bastos esteve em Alpiarça sem meias palavras. Chamou “paralelepípedo com colarinhos” a um ministro, disse que as revistas cor-de-rosa são “coisas repelentes” e apontou a imprensa regional como uma boa alternativa.

Edição de 28.04.2004 | Cultura e Lazer
“Os jornais de província podem ser uma grande alternativa aos jornais nacionais”, disse quarta-feira o escritor e jornalista Baptista Bastos, na abertura da Feira do Livro Barato de Alpiarça. E deu como exemplo O MIRANTE, referindo tratar-se de um “jornal muito bem feito”. Durante cerca de uma hora, Baptista Bastos falou das suas experiências enquanto jornalista, do 25 de Abril, da pouca importância que se dá aos escritores e não deixou de criticar alguns políticos. Para o escritor, Portugal vive entre o programa da SIC “Levanta-te e ri”, o “Cabaré da coxa” (SIC Radical) e as declarações do ministro-adjunto do primeiro-ministro, José Luís Arnaut, a quem classificou como “um paralelepípedo com colarinhos”. Baptista Bastos arrancou mais uma gargalhada do público, que compareceu em grande número no espaço do mercado municipal, ao dizer que cada vez que vê Cavaco Silva na televisão fica com “espasmos esofágicos”. Considerando que o jornalismo pode ser um serviço social e público, garantiu que quem faz os jornalistas é o público. “Os patrões podem ter dinheiro para fazer jornais, mas não fazem vedetas do jornalismo. O público é que sabe qual é o jornalista que não vende fruta com bicho”. Para Baptista Bastos nenhum jornal do Mundo é independente e imparcial, apesar de em Portugal se dizer “que é tudo muito independente”. E comentou que os leitores não são tolos. Sobre o caminho que a comunicação social nacional está a seguir, considerou que se está perante “um ultraje à inteligência das pessoas”. Nesse sentido deu como exemplo o semanário Expresso. Este “jornal de referência pôs na capa da revista a cantora Ágata, que tem o mérito de ter umas ancas largas e um peito que parece que anda a jogar boxe”, ironizou. Os escritores também não escaparam às críticas, considerando que alguns “falam da sua vidinha sem a terem vivido”. Às revistas “cor-de-rosa” chamou-lhes “coisas repelentes”. Batista Bastos reconheceu ainda que faz falta neste país um jornal de esquerda, porque esta tem uma palavra a dizer em tudo. Isto apesar de, ressalvou, actualmente não dizer nada. Uma situa-ção que, em seu entender, leva a que as pessoas se cansem.Em jeito de lamento sublinhou que existem bons artistas e profissionais portugueses aos quais não é dado o devido valor. Explicou que a arquitectura nacional é muito boa, reconhecida no estrangeiro, que os livros dos escritores lusos estão a ser traduzidos lá fora, mas em Portugal não se sabe nada disto porque “os jornais não gostam de nós”. E como comentário recordou uma conversa que teve com José Saramago (prémio Nobel da literatura): “Uma vez ele disse-me que o problema dos portugueses é quando um português mija acima do ombro”.
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