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Implacável Serafim das Neves

Implacável Serafim das Neves

Edição de 28.04.2004 | E-mails do outro mundo
É realmente extraordinário o que a inscrição num partido político pode fazer por um homem. Num partido político que tenha hipótese de chegar ao poder, já se vê. Num PSD, num PS, ou mesmo num CDS/PP. O caso que relatas no teu último e-mail é exemplar. Eu próprio não dava nada pelo jovem Pedro Marques e eis que ele se revela. Que desperta para o estrelato tachal. Quem havia de dizer que estava ali um director de centro de formação profissional por revelar. Um deputado exemplar. Um director de centro de saúde a desabrochar. Nos grandes momentos é que se revelam os grandes homens. A Pátria chama e eles surgem de todos os lados. Aos magotes. Voluntariosos. Entusiastas. Disponíveis. Vão a todas. A todos, melhor dizendo. Aos tachos grandes, aos médios e aos mais pequenos. Essa merdunça da lei das incompatibilidades devia ser banida. Concordo contigo. Se um homem tem caparro para aguentar porque é que tem que optar? É criminoso. É lastimoso. Ou deputado ou director? É limitativo. A Nação não tem assim tantos crânios que se possa dar ao luxo de impor exclusividade.Não fui ao almoço do 25 de Abril. Nunca fui, como sabes. E este ano então era impossível. De certeza que os discursos iam bater todos ao mesmo. Evolução ou Revolução? Aquela coisa do érre ia-me estragar a digestão. Era certo e sabido. Eu nunca gostei de sopa de letras nem de conversas de chacha. Nós em Portugal gostamos muito de filosofar. Não temos um filósofo de jeito mas isso é outra coisa. Aqui há uns anos andava tudo a tentar descobrir se o 25 de Abril tinha sido um golpe de estado ou uma revolução. Agora é a evolução. Se queres que te diga nestas alturas até acho as conversas sobre futebol muito intelectuais. Soube agora que o famoso Adolfo Benvindo, o homem que o tribunal condenou a trabalhar a favor da comunidade por obrigar um filho a andar na pedincha, pode ter encontrado um patrão. O presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Santarém manifestou-se disposto a aceitá-lo como assalariado. Não sei como é que o condenado vai receber a notícia, mas temo pela sua saúde. Alguém que chega aos 35 anos sem ter mexido uma palha pode ficar em estado de choque ao saber que alguém o quer pôr a dar o litro. Pode-lhe dar um ataque. Uma macacoa. Eu sei lá...E que tipo de trabalho é que lhe estará destinado? Passar atestados? Limpar valetas? Secretariar as reuniões do executivo? Conduzir o carro do presidente? Aguardo em pulgas o desenrolar desta novela. Não vou perder pitada. Se calhar o presidente vai aproveitar os seus dotes de pedinte para o pôr a tratar dos pedidos de financiamento para obras lá na terra. Já estou a imaginar o Benvindo à porta da câmara. De chapéu na mão: “Um subsíidiozinho para a Junta da Póvoa, sefáchavôr...”A esta hora estás à gargalhada. Pois é. Com a câmara à beira da bancarrota, nem a cantiga melosa do Adolfo Benvindo irá resultar. Até te digo mais. Se ele se descuida ainda lhe tiram algumas moedinhas do boné. É mais que certo.E agora vou à procura da janta, que se faz tarde. Saladinhas, pois claro, que o Verão está à porta e não quero passar o tempo de praia a encolher a barriga de cada vez que passar uma jeitosa de bikini.Um abraço sem calorias do Manuel Serra d’Aire
Implacável Serafim das Neves

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