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Curso suspenso por falta de tempo

Curso suspenso por falta de tempo

Artur Marques tem o quotidiano preenchido por múltiplas actividades

Trabalhar e estudar são actividades compatíveis, como prova Luís Gameiro, o polícia residente no Entroncamento que trabalha em Lisboa e tem aulas no Politécnico de Tomar, onde é um dos melhores alunos. Mas nem todos aguentam o ritmo alucinante do dia a dia. Em Abrantes, Artur Marques suspendeu há dois anos o seu curso de Comunicação Social na Escola Superior de Tecnologia por não ter tempo para tanta coisa junta. São as duas faces da vida de um trabalhador-estudante.

Edição de 28.04.2004 | Sociedade
Artur Marques é animador cultural na Câmara de Abrantes, proprietário de um pronto a comer, músico numa banda e aos sábados ainda faz uma perninha numa rádio local. Como os dias só têm 24 horas o curso de Comunicação Social está há dois anos em stand by.Foi um dos alunos “fundadores” da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes quando esta abriu portas, há cinco anos. Tinha então 28 anos e já na altura tinha uma vida bastante preenchida, mas quis fazer algo que lhe desse mais alguns conhecimentos. Fez os três primeiros anos seguidos, embora com alguns problemas devido ao facto de estar a trabalhar na autarquia e não poder assistir a grande parte das aulas, diurnas. “Tenho pena de não ter tirado melhor partido do curso, principalmente das aulas práticas, que são sempre as mais estimulantes”, refere Artur Marques.Raramente usufruiu na prática do estatuto de trabalhador/estudante. Porque as solicitações profissionais não lhe permitiam largar o trabalho. E depois tinha a banda, denominada SOS, com muitas solicitações. Fez por exemplo a primeira parte dos concertos dos Xutos & Pontapés e dos Da Weasel, foi cabeça de cartaz em diversos festivais, andou na mega tour da RFM.Nessa altura vivia para o curso só nas épocas de exame. Como não ia às aulas pedia os apontamentos para estudar e repartia o curso – fazia algumas cadeiras em frequência, outras em exame, outras ainda em Setembro, época de trabalhador/estudante – de modo a não ter uma sobrecarga de trabalho. Uma gestão de tempo que deu resultados já que conseguiu fazer os três primeiros anos sem chumbar.As complicações vieram há cerca de dois anos, quando abriu a Sopas e Sandes, um estabelecimento de pronto a comer. A abertura do restaurante coincidiu também com a mudança de serviço na câmara, passando do serviço de informação para a divisão de cultura.Estas mudanças fizeram com que alguma coisa tivesse que ficar para trás. A opção foi fazer uma pausa nos estudos. “O curso não é a minha prioridade, não preciso dele para arranjar emprego”, diz. Na altura interessava-lhe muito mais a estabilidade financeira e a realização profissional. A banda também ficou um pouco para trás, mas Artur Marques prefere dizer que está em reestruturação.Apesar de a esposa estar à frente do restaurante e de ter uma empregada, Artur Marques dá uma ajuda nas horas de maior aperto. É por isso que, raramente, tem tempo para almoçar. “A minha hora de almoço é passada a correr da câmara para o restaurante, onde dou uma ajuda, e volto para cima a correr”.Quando sai da câmara vai buscar o filho mais novo ao infantário e a mais velha à escola e, não raras vezes, vai entregá-los à mãe, porque ainda tem trabalho para acabar. Apesar do tempo preenchido, sente que lhe falta algo. “Ao domingo, quando estou com mais tempo, começo já a ficar com dor de cabeça por não ter nada para fazer”.Depois de ter estabilizado minimamente o seu dia a dia, Artur Marques quer voltar “à vida de louco”. Prepara o seu regresso ao curso em Setembro e, também no mesmo mês, está prevista a reentré da banda no mercado. Margarida Cabeleira
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