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Falta planeamento e prevenção

Falta planeamento e prevenção

Bombeiros da Chamusca comemoraram 54º Aniversário em clima de críticas

O comandante dos Bombeiros Voluntários da Chamusca disse, na sessão solene de aniversário da associação, que as acções de planeamento e de prevenção para fazer face aos fogos florestais “não se notam”.

Edição de 28.04.2004 | Sociedade
As comemorações do 54º. aniversário dos Bombeiros Voluntários da Chamusca foram marcadas pelas críticas à falta de planeamento, para fazer face aos fogos florestais e pela inauguração das novas valências do quartel, que fica agora dotado de salas de formação e de convívio e mais arrecadações para material. No domingo, a esperança em melhores dias esteve patente em todas as intervenções efectuadas na sessão solene que contou com a presença do Governador Civil do Distrito de Santarém, Mário Albuquerque. Mas apesar de ser dia de festa, o comandante dos Bombeiros da Chamusca, Manuel Rufino, não se coibiu de enviar alguns recados. Depois de se congratular com as promoções dos seus homens, e com os olhos postos no passado recente, o comandante perguntou: “Onde está o planeamento? Onde está o ordenamento da floresta? Onde está a prevenção e a segurança para que a tragédia não se repita? O Verão está à porta e acções referidas não se notam, nem se dá por elas!”. Embalado nas críticas, Manuel Rufino referiu que deveriam ser dados passos seguros para que a acção dos bombeiros possa ser necessária somente em casos extremos. “Mas os homens teimam em não alterar a sua cultura, em não aprender a reconhecer a necessidade imperiosa de mudança e quem sofre são as populações”.A título de exemplo, Manuel Rufino não aceita que uma viatura pronto-socorro que ficou inactiva num incêndio em 2001 ainda esteja por substituir e que os bombeiros sejam obrigados a “esmolar” os 25 por cento de comparticipação da compra de um veículo novo.O representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, Carlos Pinheiro, também se mostrou preocupado por até agora pouco ter sido feito para se tentar evitar uma tragédia idêntica à do Verão de 2003, referindo-se ao “autismo dos responsáveis” e à “intromissão abusiva que se pretende fazer no seio dos bombeiros”.Para Carlos Pinheiro, a preo-cupação ainda é maior quando “ouvimos falar em tantas entidades para apagar fogos. São os militares, são os sapadores florestais e até outros que não sabemos bem ainda quem são. Sabemos sim que serão os bombeiros a ter que andar para diante, sem que até agora tenha sido feito o seu reequipamento”.“Como é possível, como ouvimos aqui há pouco, que os bombeiros ainda estejam à espera de serem reembolsados das despesas que tiveram que suportar com os fogos florestais de 2003?”, questionou Carlos Pinheiro. Bombeiros esquecidosO presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho, corroborou as preocupações dos responsáveis dos bombeiros, mas deixou uma palavra de optimismo: “Sinto que dispomos de uma equipa capaz de correr todos os riscos possíveis e impossíveis para que o próximo Verão seja melhor do que o passado”.Sérgio Carrinho referiu que não gostava de ver repetido o que se passou na fase crítica de 2003, quando alguns altos responsáveis pareciam mais preocupados com as suas carreiras do que em resolver os problemas. E deixou um lamento: “É triste que pessoas e entidades privadas com bens, que são defendidos muitas vezes pelos bombeiros, com o risco das próprias vidas, se esqueçam deles e não tenham para com eles uma deferência, ou dêem uma pequena ajuda”.O governador civil de Santarém, Mário Albuquerque, tomou nota das preocupações e depois de referir que os bombeiros lhe merecem toda a consideração sublinhou o papel do Governo durante e após a calamidade do Verão de 2003. Garantindo que “o executivo também tem dificuldades, e que a seu tempo as situações se irão resolvendo”, acrescentou que “as reivindicações que aqui foram feitas vão chegar ao conhecimento do ministro da Administração Interna”.Durante a sessão solene foram promovidos a bombeiros de segunda classe mais de uma dezena de jovens, e os mais antigos foram promovidos a bombeiros de primeira classe, a sub-chefes e a chefes. O bombeiro chefe, Francisco Laranjinha foi galardoado com o crachá de Ouro, a mais alta condecoração atribuída pela Liga dos Bombeiros Portugueses (ver texto nesta página).
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