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Mercado suspenso até novas ordens

Mercado suspenso até novas ordens

Desordem entre feirantes na origem da decisão da Câmara do Entroncamento

Pela primeira vez nos últimos anos, o mercado semanal do Entroncamento não se realizou. A culpa, diz a câmara, é de alguns feirantes mais desordeiros. O habitual bulício dos sábados só volta quando houver garantias de segurança.

Edição de 28.04.2004 | Sociedade
No sábado, 24 de Abril, o recinto do mercado semanal do Entroncamento era um espaço deserto, contrastando com o bulício que normalmente ali ocorre no último dia da semana. A câmara deliberou suspender a feira por questões de segurança, com base num relatório da PSP local. Até nova ordem não há mercado. Em causa estão desacatos provocados por vários feirantes, que não cumpriram as regras estipuladas pela autarquia.O executivo deliberou por maioria, com o voto contra do vereador da CDU, António Ferreira, suspender o mercado na passada semana, mas na segunda-feira, 26 de Abril, o assunto voltou à reunião de câmara, perante a presença de alguns dos habituais feirantes e do comandante da esquadra da PSP do Entroncamento, Celso Marques.“Ficámos surpreendidos com a decisão da câmara”, disse Joaquim Neves, um dos feirantes presentes, que acrescentou: “Não vi motivos que justificassem esta decisão e além disso é injusto que a maioria pague pelo comportamento de uma minoria”.Para estes vendedores, seria mais justo impedir a entrada de quem perturba a ordem pública, mas para tanto seria necessário que existisse um regulamento dos mercados que permitisse à PSP actuar. Coisa que não existe.“Esta é uma situação provisória. O regulamento será criado quando o mercado passar para o local definitivo”, explicou o presidente Jaime Ramos (PSD).Na opinião do executivo, corroborada pelo comandante Celso Marques, a reabertura do mercado depende dos próprios feirantes. Foi sugerido que se criasse uma comissão para dialogar com a câmara e garantir que o mercado possa fun-cionar sem desacatos. A bola passou para as mãos dos feirantes, mas não será de fácil resolução. “Queremos que o mercado reabra tão rápido quanto possível, mas acima de tudo está a segurança das pessoas”, continuou o presidente.A decisão de suspender o mercado pode funcionar como medida de pressão para os vendedores “desordeiros” entenderem que há regras a cumprir: “Quem manda no mercado é a câmara. Somos nós que ditamos as regras, não são os vendedores”, afirmava Jaime Ramos.Desordens na Rua AO mercado semanal do Entroncamento, tido como um mercado de referência na região, realizava-se desde 20 de Março na área do futuro pavilhão multiusos, junto à estrada nacional 365 de ligação Entroncamento Golegã. Antes disso ocupava um espaço nas imediações do novo edifício do tribunal, na mesma zona, que teve de abandonar mercê de um protocolo assinado entre a Câmara Municipal do Entroncamento e o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça. Com a alteração do local, a câmara decidiu ordenar o mercado, criando quatro ruas com largura suficiente para entrar uma ambulância caso fosse necessário, ficando as bancas com áreas determinadas dos dois lados. Por outro lado, fez também com que se cumprisse o tarifário dos terrados, que entrou em vigor em Dezembro de 1994 e que ninguém havia posto em prática.Segundo os agentes da PSP e o executivo, os problemas surgem na Rua A, onde os feirantes oferecem resistência a alinhar as estacas que suportam os esticadores dos toldos e, embora paguem o que lhes é exigido – 50 cêntimos por 2 metros quadrados – criam alguns desacatos.No dia 17, para além destes motivos que se arrastam sem grandes percalços desde que o mercado abriu no novo espaço, juntou-se a ocupação indevida de bancas que estavam vazias. “Quem manda no mercado é a câmara. Se a banca estava vazia foi atribuída a outro vendedor. Não são os vizinhos que a ocupam porque são primos, ou tios, ou filhos, dos habituais ocupantes”, reafirmava Jaime Ramos.Margarida Trincão
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