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Mina turística desaproveitada

Mina turística desaproveitada

Salinas de Rio Maior apresentam um aspecto de desleixo e não têm divulgação

As salinas de Rio Maior são de uma beleza ímpar, mas não existem as condições mínimas para receber os visitantes. O posto de turismo está quase sempre fechado, as ervas crescem nas ruas, algumas casas típicas estão a degradar-se.

Edição de 28.04.2004 | Sociedade
Fernando Martins conhece as salinas de Rio Maior como a palma da mão. Por isso, muitas das vezes faz o papel de guia turístico aos visitantes. Não fosse ele e as pessoas passavam pelo local sem saber alguns pormenores das marinhas de sal-gema, já que o posto de turismo local está quase sempre fechado. O espaço, com grandes potencialidades para o turismo, está mal aproveitado, pouco divulgado e algumas das típicas casas de madeira estão a apodrecer. O antigo salineiro, que agora se dedica à venda de artesanato e saquinhos de sal, olha agora para o local com alguma amargura. “Isto está morto porque ninguém liga a isto. Ainda aparecem por cá alguns turistas ao fim-de-semana, mas podiam vir muito mais se houvesse divulgação”, comenta. E a pouca que há partiu da iniciativa dos comerciantes, como Fernando Martins, que mandou fazer um livro com a história das salinas. Custa seis euros. “Se não fôssemos nós isto já tinha acabado. Os funcionários da câmara só cá vêm uma vez por ano limpar as valetas”. Num olhar de relance não escapam as ervas a crescerem nas ruas de pedra e nos tanques das salinas, onde anda a boiar algum lixo. Algumas das antigas casas de madeira dos salineiros estão a cair. Outras têm telhados de fibrocimento em vez das antigas telhas de canudo. Há um misto de beleza e desleixo. E falta muito para que um espaço tenha as mínimas condições para ser considerado um atractivo turístico. Para José Chora, as casas de banho são uma vergonha. São pequenas, apesar de estarem geralmente asseadas.Um parque de estacionamento é outra das carências sentidas por José Chora, que tem um bar no local. “O piso era todo em terra. Agora as ruas são em pedra, mas quem fez a obra foram os salineiros. A câmara só deu um bocado de cimento. A autarquia nunca se interessou por isto”, desabafa.Maria Celeste concorda com as opiniões: “Se a câmara fizesse um parque de estacionamento podia cá vir mais gente”. O espaço que há para estacionar não leva mais de 20 carros. E, para isso, é preciso estarem bem arrumados. Maioria e oposição trocam acusaçõesÉ por estas razões que os vereadores da coligação PSD-CDS/PP, na oposição na Câmara de Rio Maior, querem uma intervenção de emergência nas marinhas do sal. Edgard Gomes e Maria de La-Salette Pinto, consideram que o futuro do espaço passa pela criação de uma comissão que possa promover o desenvolvimento das salinas. Essa entidade seria constituída pela câmara, junta de freguesia, salineiros e Parque Natural das Serras D’Aire e Candeeiros. Os vereadores exigem ainda a reposição dos telhados tradicionais em algumas casas, a criação de um subsídio para que os salineiros procedam à reparação de algumas casas de madeira e telhados. Propõem ainda a realização de trabalhos de limpeza geral da zona e a conclusão da reparação do largo fronteiro à Cooperativa dos Salineiros, iniciada há um ano. Promover a divulgação das salinas, com publicidade da Auto-Estrada 15 (Santarém-Caldas da Rainha) e dinamizar o posto de turismo existente no local são outras das propostas dos vereadores que consideram que as marinhas, apesar de serem privadas, têm um interesse público que se sobrepõe.A maioria socialista na Câmara de Rio Maior nega as acusações de desleixo. O vereador do Turismo, Vítor Damião, diz que as salinas estiveram ao abandono quando o PSD dirigia a autarquia. E garante que nos últimos tempos fizeram-se várias obras, como a construção de um colector de esgotos, pavimentação da estrada que passa no local, reparação dos sanitários, entre outras. A autarquia pretende ainda fazer uma ciclovia entre o centro da cidade e as salinas. As reparações das casas, diz, cabem aos proprietários.Considerando que a proposta do PSD é demagógica porque propõe coisas que a câmara está a fazer, ou já fez, Vítor Damião garante que o largo em frente à cooperativa vai ser arranjado e que o posto de turismo costuma estar aberto entre Maio e Setembro. Sobre a divulgação já se está a tratar da colocação de painéis em vários locais. O vereador reconhece que o turismo podia ser potenciado, mas ressalvou que isso só será possível com a elaboração de um plano de pormenor do espaço, que está a ser estudado. O que são as salinasAs salinas de Rio Maior encontram-se no sopé da Serra dos Candeeiros, a três quilómetros da cidade. A referência mais antiga às salinas, ou marinhas do sal, como também são conhecidas, remonta a 1177. Mas pensa-se que o aproveitamento do sal-gema já vinha desde a pré-história.Com o mar a mais de 30 quilómetros, o aparecimento do sal deve-se a uma jazida de sal-gema, por onde passa a água da chuva, infiltrando-se nas falhas de rocha calcária. Há milhões de anos o mar ocupou o lugar, que corresponde hoje ao território nacional, e ao recuar deixou um lago que foi secando e do qual restam apenas vestígios, como esta jazida. Existem oito tanques com um total de 5.000 metros quadrados, com capacidade para um milhão de litros de água A evaporação da água dá-se em seis dias, o sal é depois posto a secar durante 60 horas. Para corresponder às necessidades de comercialização do sal e ao aumento da produção foi criada em 1979 a Cooperativa Agrícola dos Produtores de Sal de Rio Maior.
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