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“Os nossos filhos querem autenticidade”

“Os nossos filhos querem autenticidade”

Técnicos debatem educação sexual em Azambuja
Edição de 28.04.2004 | Sociedade
Os jovens que atravessam o período conturbado da adolescência querem “convicção, autenticidade e verdade” nas respostas às suas inquietações. É esta a opinião de Isabel Stilwell, mãe de três filhos e jornalista, uma das convidadas do seminário sobre educação sexual, que decorreu na quarta-feira à tarde, 21 de Abril, em Azambuja.A directora das revistas “Adolescentes! Manual para Pais” e “Notícias Magazine” acredita que os todos os pais que viveram a adolescência, estiveram apaixonados e sofreram um desgosto amoroso são especialistas na matéria. “O grande problema é termos pertencido a uma geração que falou escondido sobre tudo isto”.A jornalista, que deixou propositadamente algumas “provocações” aos professores que encheram a plateia do auditório do Páteo do Valverde, no seminário organizado pela Escola Secundária de Azambuja, considera que os docentes têm que ser mais audazes e responder às questões dos jovens ou encaminhar para quem esteja mais bem informado, em vez de se desculparem por não serem especialistas na matéria.“Quando os miúdos fazem uma pergunta o que querem é a opinião e a experiência dessa pessoa. O que os adolescentes querem é testar os argumentos e as convicções de quem está ao pé deles”, afirmou.Para Isabel Stilwell não faz sentido que se invoque simplesmente as novas directivas da legislação e se diga que cabe a cada indivíduo tomar as suas próprias opções. “Não reagir e não fazer nada quando uma aluna mexe numa caixa de preservativos em plena sala de aula é recusar um pedido de ajuda ou de informação”.Para a professora de história, Inês Poeiras, que integra também o Movimento de Defesa da Vida e desenvolve acções de sensibilização junto dos jovens, é mais fácil integrar algumas noções de educação sexual no currículo dos alunos. A professora aproveita normalmente assuntos como a sucessão dos reis e os filhos bastardos para esclarecer que na época nem sempre os casamentos eram feitos por amor, mas por razões políticas.Mas a questão da eficácia da transversalidade na educação sexual é um assunto que ainda está longe de conseguir o consenso. “A transversalidade será eficaz? Se conseguirmos formar professores em educação sexual não será mais vantajoso? São questões que estamos a tentar resolver”, revela.As perguntas que chegam aos poucos gabinetes de apoio aos jovens criados nas escolas do país são quase sempre as mesmas. A professora de biologia Paula Peralta, da Escola Secundária Lima de Freitas, em Setúbal, uma escola pioneira em iniciativas pedagógicas de educação sexual, explica que as dúvidas relacionadas com a contracepção, ciclo menstrual, doenças sexualmente transmissíveis e anatomia são as mais frequentes. Na opinião dos técnicos, a atitude mais correcta é falar abertamente sobre o assunto entre família até porque as conversas entre pares podem levar a falsas crenças. A especialista em sexologia, Fátima Gameiro, garante que os jovens cujos pais encaram com mais naturalidade a sexualidade iniciam mais tarde a vida sexual e adoptam comportamentos mais responsáveis. “A sexualidade não deve ser encarado como algo pecaminoso e sujo”, adverte.Apostar na educação cívica dos jovens O ministro da educação, David Justino, defende uma abordagem integrada da educação juvenil a vários níveis, que inclua também noções sobre sexualidade. É esta a postura do governante, que no dia 21 de Abril, encerrou o seminário sobre educação sexual que se realizou em Azambuja.David Justino considera que as noções de educação sexual devem ser transmitidas aos jovens no período da adolescência e não apenas no final do ensino secundário. O ministro informou que a posição oficial do Governo não deverá tardar, até porque existe uma equipa a trabalhar no assunto, mas ainda assim não deixou de transmitir a sua opinião pessoal.O responsável considera que educação sexual abordada de forma transversal nas escolas não é a melhor solução para informar os jovens. “Nem os que ensinam sabem, nem os que aprendem não sabem completamente. A própria socialização dos jovens com a família e os amigos contribui por vezes de forma mais eficaz para a aprendizagem”, analisou. O ministro não compreende porque é que existe uma preocupação tão grande com a sexualidade, que nunca deveria ser resultado de uma “formatação”. David Justino está convicto de que a maior parte dos jovens sabem os riscos que correm, mas a grande questão é perceber porque tomam determinado tipo de atitudes perante o risco.
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