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“Sem liberdade nada se pode fazer”

“Sem liberdade nada se pode fazer”

O 25 de Abril passou pela Escola José Tagarro, no Cartaxo
Edição de 05.05.2004 | Cultura e Lazer
Alunos da Escola EB 2/3 José Tagarro, no Cartaxo, encenaram alguns dos momentos mais importantes da nossa história recente. A actuação da PIDE, a guerra colonial e a revolução foram alguns dos temas abordados na peça.Rapazes e raparigas das turmas do 5.º C, 6.º C e D, 7.º C e 8.º B da Escola José Tagarro vestiram-se no dia 28 de Abril de pais, mães e filhos de soldados, mas também de censores e de adeptos do antigo regime. A intenção foi dar a conhecer aos colegas um pouco da história do 25 de Abril, através de uma dramaturgia com base em textos de Bernardo Santareno.E bem interpretaram, à mistura com algum nervoso miudinho, a vivência da época. Famílias e amigos que discordavam entre si acerca da ditadura, a leitura condicionada e proibida de jornais e os homens da PIDE, engravatados, de ouvido à escuta. Fosse no café ou na rua. A determinada altura eclodiu a guerra em África, com a chamada de milhares de jovens portugueses. Muitos tiveram a sorte de regressar. Os familiares de outros tiveram a fraca consolação de os verem condecorados a título póstumo.Chegava a véspera do 25 de Abril e soaram as canções de intervenção. Grândola Vila Morena, de José Afonso, Somos Livres, de Ermelinda Duarte, ou E Depois do Adeus, de Paulo de Carvalho, que espoletou a partida de Salgueiro Maia e dos seus homens da Escola Prática de Cavalaria rumo a Lisboa.De partida para a liberdade, a peça acabou com os cravos da revolução, de papel construídos, a serem atirados para o público no meio dos corredores da escola, com vivas à revolução.Joana Batista, aluna do 8.º B, interpretou o papel de mãe de um soldado que é chamado para a guerra colonial. E apesar do nervosismo e de dois meses de ensaios “passou no teste”. Sobre a importância da data, recordou o que os pais lhe dizem sobre o 25 de Abril. “Sem liberdade nada se podia fazer”.Fábio Luís, aluno do 7.ºC, fez de general português, que envia as tropas e condecora os heróis da guerra. O seu conhecimento do 25 de Abril fez-se na escola e em casa, ainda que a mãe só tivesse três meses à época da revolução. Por isso também falou com os avós sobre o assunto.“Sei que morreram muitos portugueses na guerra e que os mais importantes da revolução foram o capitão Salgueiro Maia, que partiu de Santarém, e todo o Movimento das Forças Armadas (MFA)”, recordou convicto, acrescentando que o 25 de Abril não deve ser apenas celebrado todos os anos mas também relembrada a sua importância.Depois do teatro, seguiu-se um colóquio em que os alunos puseram várias questões aos convidados. Hélder Travado, o primeiro presidente da Câmara do Cartaxo após o 25 de Abril, Vitor Rosa, ex-militar na Guiné, e a vereadora da autarquia cartaxense, Elvira Tristão, responderam a questões como a dificuldade de ir para África, se o 25 de Abril foi um golpe de Estado ou uma revolução, o significado dos cravos e, a pergunta sacramental, onde estavam nessa data.Dúvidas que os convidados elucidaram, salientando que os jovens são donos do futuro e da liberdade que hoje desfrutam.
“Sem liberdade nada se pode fazer”

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