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Monsanto Campeão

Festa começou antes do início do jogo e durou toda a tarde

O Monsanto derrotou o Samora Correia por 5-2 e garantiu o título distrital de futebol a duas jornadas do fim do campeonato. A festa começou antes do jogo e prolongou-se por toda a tarde. Há seis anos a equipa estava no Inatel, agora garantiu lugar na terceira divisão nacional.

Edição de 05.05.2004 | Desporto
Os foguetes começaram a rebentar em Monsanto ainda faltavam quase dez minutos para o final do jogo. A equipa da casa, que só precisava de empatar para garantir o título, ganhava por 4-2 quando se ouviu o primeiro estrondo, logo seguido de outros. Vasco Aparício, presidente do clube, ainda lembrou o adágio popular que diz que só se devem lançar os foguetes no final da festa, mas a festa estava mais que começada.Começou mesmo antes do jogo se iniciar. Meia hora antes do apito inicial, o campo já estava quase cheio e bastaram 40 segundos para se ouvir a primeira explosão de alegria. O árbitro assinalou uma grande penalidade na área do Samora, que Pedro Fazenda converteu no 1-0, quando estavam decorridos dois minutos.Ainda o público festejava o primeiro tento e já o melhor marcador do Monsanto fazia também o gosto ao pé. Com apenas quatro minutos de jogo, na sequência de um pontapé de canto que nem a defesa nem o guarda-redes conseguiram afastar, Nilton cabeceou à vontade e fez o 2-0. Nem os mais optimistas esperavam que fosse tão fácil.Com os adeptos, sobretudo os mais novos, a gritarem constantemente pela equipa, foi preciso esperar até à meia hora para se ver o terceiro golo. Paulo Jorge bateu de forma impecável um livre directo assinalado junto ao bico esquerdo da área do Samora e o guardião Sérgio facilitou um pouco e permitiu a entrada da bola na sua baliza.A primeira jogada de verdadeiro perigo do Samora aconteceu aos 39 minutos, num livre do capitão Carlos Pinto, que fez a bola cruzar toda a área sem que ninguém a conseguisse desviar. Antes do intervalo, Pedro Fazenda ia fazendo novamente o gosto ao pé, mas o remate, na sequência de um livre directo, bateu na barra da baliza dos visitantes.O intervalo serviu para os adeptos refrescarem as gargantas e não alterou em nada a toada do jogo. Um minuto após o reatamento Nilton teve tempo para parar a bola e assistir Pedro Fazenda que num remate pronto bisou na partida, aumentando o resultado para 4-0.O Monsanto baixou então claramente o ritmo e na cabeça dos jogadores já devia estar a festa na companhia dos adeptos. Aos 61 minutos, o guarda-redes Pinto falhou uma reposição em campo, chutou contra um adversário e Maquemba aproveitou para apanhar a bola, correr vinte metros com ela dominada e disparar para a baliza, reduzindo a diferença.A dez minutos do fim do jogo, Maquemba voltou a aproveitar a passividade adversária para marcar o seu segundo golo. A defesa do Monsanto não conseguiu aliviar um canto e o avançado do Samora desviou o esférico para as redes, bisando no jogo.Já com os foguetes a estalejar, a cinco minutos do final da partida, Pedro Fazenda fez Hat-trick, desviando a bola para a baliza à entrada da pequena área. O jogador protagonizaria minutos depois um lance perfeitamente evitável ao protestar contra a decisão do árbitro que acabou por o expulsar, uma decisão talvez evitável a dois minutos do fim do jogo.Marco Francisco acabou por ter uma actuação merecedora de vários reparos. O lance da grande penalidade que deu o primeiro golo ao Monsanto pareceu perfeitamente casual, ao mesmo tempo que não assinalou uma penalidade bem evidente sobre Pedro Fazenda à meia hora da segunda parte. Pelo meio do jogo deixou passar em claro algumas jogadas bem duras de jogadores de ambas as equipas.Treinador do Samora vai continuar mas não gosta dos árbitros de Santarém“Estamos a começara ficar fartos disto”O treinador do Samora, Rui Santos, ficou muito agastado com a arbitragem de Marco Francisco no jogo com o Monsanto e protestou de tal forma que acabou por ser expulso. No final, em declarações a O MIRANTE não escondeu o seu descontentamento com esta e outras arbitragens.“Temos pelo menos direito à indignação e há coisas que são demais. No primeiro lance, a bola bate claramente no peito de um jogador nosso, que nem sequer está pressionado, e ele marca uma grande penalidade daquelas, claramente que desvirtua a verdade do jogo. Estamos a começar a ficar fartos disto. Hoje foi o que se viu, em casa do Santarém foi o que se viu, em Amiais é o que se vê e estas situações é que fazem um pouco a diferença entre as equipas melhores e piores”, disse Rui Santos.O treinador do Samora vai continuar na próxima época e pretende manter um núcleo de 10-12 jogadores, que transitarão deste ano. Diz que gosta do distrital de Santarém mas lamenta a fraca qualidade da arbitragem.Nilton fica enquanto a direcção quiserO avançado cabo-verdeano Nilton, melhor marcador da I Divisão Distrital, garante que vai continuar no Monsanto, apesar de haver vários clubes interessados nos seus serviços. “Se o Monsanto quiser eu não saio daqui. Estou cá há cinco épocas, sou muito bem tratado aqui, parece que sou filho da terra e só saio daqui se não me quiserem mais”, garantiu ao nosso jornal.O atleta já tinha sido várias vezes campeão em Cabo verde, mas diz que aqui o sabor da vitória é diferente porque se trabalha mais a sério. Presidente e treinadordo Monsanto prometem coisas bonitas no nacionalUm casamento perfeitoAssim que o árbitro deu por finalizado o jogo, presidente e treinador do Monsanto abraçaram-se e nenhum escondeu a emoção e as lágrimas de felicidade por uma vitória única no historial do clube.“Sinceramente nunca duvidei da nossa vitória no campeonato. Tivemos algumas intermitências ao longo da época, mas fomos ganhar a Santarém, que eu sabia que era um jogo chave, e fiquei sempre com a ideia que íamos chegar ao fim na frente. Depois perdemos cinco pontos seguidos, mas logo a seguir recuperámos seis. Fomos felizes, mas se calhar merecemos a sorte. A dinâmica que estava criada era muito boa e era difícil parar hoje o Monsanto”, disse o treinador, Arsénio Fazenda.O técnico vai continuar a treinar Monsanto, porque, segundo diz, há um casamento quase perfeito entre ele e o presidente do clube. “Felizmente que tem dado resultado e vamos continuar de certeza por mais alguns anos. Tenho muita responsabilidade aqui em termos de jogadores, quero mantê-los cá e o clube oferece uma estabilidade fantástica”, acrescentou.Arsénio Fazenda garante ainda que a maior parte do plantel vai ficar. “Vamos eventualmente reforçar alguns sectores, mas este plantel tem qualidade para se portar bem na terceira divisão. Esta equipa vai crescer, os jogadores são muitos jovens e têm uma margem de progressão muito grande. De certeza que eles vão fazer coisas que todos vão ficar surpreendidos”, concluiu o técnico que agora já pensa em conquistar a Taça do Ribatejo para fazer a dobradinha.Desejo semelhante tem o presidente do clube. Vasco Aparício lembrou que há seis anos a equipa estava no Inatel e diz que o sucesso agora alcançado é fruto de amizade, estabilidade e muito trabalho. “Grande parte dos miúdos que estão aqui sinto-os quase como meus filhos porque muitos vieram para aqui no segundo ano de juniores, com 17 anos. Hoje tem 21-22 anos e isto tem sido um trabalho muito contínuo. Temos tido sempre muito rigor e fomos melhorando as estruturas do clube. Não podemos exigir determinados objectivos sem ter estruturas em condições”.“Um clube como o nosso, que não é só futebol, tem um papel importante nesta pequena terra e é isso que nós queremos continuar a ter: um papel importante na qualidade de vida e no gosto pela sua terra”, acrescentou Vasco Aparício.

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