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Filão da indústria é uma aposta arriscada

Filão da indústria é uma aposta arriscada

Delegado regional do IEFP teme consequências da eventual deslocalização de unidades fabris
Edição de 05.05.2004 | Economia
O responsável da delegação de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Octávio Oliveira, considera que, na actualidade, a política de captação de indústrias seguida por alguns municípios da nossa região é uma aposta errada.“Até há pouco tempo, um autarca que estivesse preocupado com o desenvolvimento do seu concelho e com a criação de emprego apostava na captação de indústrias para o seu território. Mas esse filão é hoje cada vez menos um filão. Cada vez é mais difícil encontrar uma oportunidade por aí”, disse, na noite de 28 de Abril, Octávio Oliveira, durante um colóquio organizado pelo núcleo de Santarém da Nersant – Associação Empresarial da Região de Santarém que decorreu na Casa do Brasil, em Santarém.O delegado regional do IEFP alerta para os perigos da possível deslocalização de indústrias para países mais competitivos, que têm grandes repercussões ao nível do emprego nos locais onde estão instaladas. E defende que a aposta deve ser feita no sector terciário com a “intensificação da malha no sector dos serviços”, onde hoje está a maioria das ofertas de emprego.Octávio Oliveira reconhece que o desemprego tem vindo a crescer na região, tal como no país - embora “cada vez vá crescendo menos” - e aponta a formação profissional como uma das respostas para minimizar o problema do desemprego. “O conceito do emprego para toda a vida morreu”, afirma o responsável, considerando que os trabalhadores devem estar disponíveis para uma actualização permanente dos seus conhecimentos de forma a serem competitivos no mercado de trabalho. Uma ideia que já antes havia sido focada pelo presidente do Instituto Politécnico de Santarém, Jorge Justino, outro dos oradores convidados.Octávio Oliveira defende ainda a aposta na formação técnica e profissionalizante, realçando o trabalho que, nessa área, tem sido feito pelo Centro de Formação Profissional de Santarém. Em 2001, essa entidade deu formação a 1379 pessoas, saltando para 2320 em 2003. Este ano, a meta é atingir os 3042 formandos.Também Jorge Justino advogou um ensino mais vocacionado para o mercado laboral e mais profissionalizante a que, na sua óptica, deve corresponder a abertura das empresas à recepção de jovens recém-licenciados. Para ele, as instituições educacionais devem estar atentas à realidade económica e social, ministrando conhecimentos que permitam uma fácil integração no mercado laboral.No segundo colóquio sobre a “Análise do desenvolvimento do concelho de Santarém”, vocacionado para as áreas da educação, emprego e turismo, falou ainda o presidente da Região de Turismo do Ribatejo, que criticou a falta de apoio do Estado ao sector. Para Carlos Abreu, o desenvolvimento turístico para ser efectivo necessita de respostas de outros agentes. “O turismo é que precisa de boas estradas, de saneamento básico, de manifestações culturais e de monumentos preservados para se desenvolver e não o contrário”, referiuO presidente do núcleo de Santarém da Nersant, João Lucas, destacou as potencialidades de crescimento do concelho derivadas da sua localização estratégica e da boa rede viária que o serve, tornando-o apetecível para investimentos na área da logística.Sublinhou ainda a boa “performance” dos agentes económicos locais, de que é reflexo o crescimento em 76 por cento dos impostos municipais, com incidência sobre a actividade económica entre 1995 e 2001.O chefe de gabinete do governador civil de Santarém, António Oliveira, reforçou a ideia, informando que dados recentes confirmaram a nossa região como uma das mais ricas a nível nacional.
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