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Bombeiros de Vila Franca em litígio com a administração do hospital

Bombeiros de Vila Franca em litígio com a administração do hospital

Em causa o serviço de ambulâncias

Os Bombeiros de Vila Franca de Xira deixaram de fazer transporte de doentes do hospital da cidade. Em causa estão os valores a pagar que não são actualizados há três anos. Os gestores argumentam que foi o Governo que fixou os preços, mas os dirigentes da associação estão magoados.

Edição de 05.05.2004 | Sociedade
Os Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira não fazem transporte de doentes do hospital desde final de Fevereiro por não concordarem com o preço a pagar. A maioria dos serviços está a ser feita pelos bombeiros da Castanheira, mas outras corporações também têm respondido aos pedidos da unidade hospitalar.A administração do hospital abriu um concurso público e está a receber propostas até 6 de Junho.A polémica foi lançada pelo presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira que acusou a administração do hospital de “insensibilidade” e de ter dificultado ao máximo o concurso público para a atribuição dos serviços com um caderno de encargos “exigente” e com os mesmos preços de há três anos.A administração do hospital reagiu com surpresa alegando que os preços foram fixados por um despacho do secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde. Os gestores da unidade afirmaram que anularam um primeiro concurso, onde apareceu só uma empresa “com um preço elevado”, para possibilitar que os bombeiros dos concelhos abrangidos pelo hospital pudessem concorrer.Segundo o presidente da direcção da associação de Vila Franca, Carlos Fernandes, em Fevereiro, os bombeiros souberam por um funcionário do hospital que não tinham serviços marcados e que os mesmos tinham sido entregues aos Bombeiros da Castanheira do Ribatejo. “Não houve uma palavra da administração, não houve resposta a uma carta nossa, não houve nada”, lamentou.“Quero deixar a mágoa pelo tratamento que foi dado a uma instituição com 122 anos por algumas pessoas que vieram para aqui há meses”, acrescentou.Francisco dos Santos, administrador do Hospital de Reynaldo dos Santos disse a O MIRANTE que foi a direcção dos Bombeiros de Vila Franca que estabeleceu um prazo, findo o qual não faria mais transportes por não concordar com os preços estabelecidos. O gestor admite que o preço praticado (33 cêntimos por quilómetro) é baixo, mas lembrou que as associações recebem ainda uma taxa de saída e que os valores são pagos por doente. Na prática, segundo o administrador, se uma ambulância levar dois doentes recebe a dobrar. Francisco dos Santos disse ainda que sugeriu a todas as associações que formassem uma entidade prestadora de serviços e que aproveitassem a oportunidade do concurso que está a decorrer.O líder da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira aproveitou a presença de mais de duas centenas de sócios e das entidades locais na cerimónia comemorativa dos 122 anos dos bombeiros, no dia 1 de Maio, para esclarecer que nas últimas semanas, os bombeiros de Vila Franca fizeram três serviços “porque não havia ambulâncias medicalizadas disponíveis”. O dirigente sublinhou a qualidade das viaturas e dos profissionais, segundo disse incomparável “a corporações que compram viaturas em segunda mão e colocam autocolantes à pressa”. Segundo Carlos Fernandes, esta alteração aumentou a capacidade de resposta e a eficácia dos bombeiros que com mais ambulâncias disponíveis passaram a responder mais rapidamente aos pedidos de socorro.O administrador Francisco dos Santos lamentou que o seu nome tenha sido envolvido numa cerimónia onde não estava presente e frisou que o hospital não quer estar de costas voltadas para os bombeiros e a administração tudo tem feito para ajudar as corporações. “Mal de nós se não defendermos os nossos bombeiros”, conclui.Nelson Silva Lopes
Bombeiros de Vila Franca em litígio com a administração do hospital

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