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Morrer à porta de casa

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Maria de Fátima foi vítima de atropelamento na estrada que atravessa Atalaia

Um atropelamento na estrada nacional que atravessa Atalaia, Vila Nova da Barquinha, ceifou a vida a uma mulher de 44 anos. Maria de Fátima era o amparo de uma família carenciada. “Sem ela não sei como vai ser”, desabafa o marido.

Edição de 05.05.2004 | Sociedade
Carlos Raul Conde é um homem inconsolável. A mulher, Maria de Fátima, foi mortalmente atropelada a poucos metros da casa onde residia com ele e os filhos em Atalaia, concelho de Vila Nova da Barquinha. Pessoa querida de toda a população, Maria de Fátima Almeida, 44 anos, era o suporte da família marcada pelo infortúnio. “Era ela que me amparava quando andava mais em baixo, era ela que tratava de tudo, sem ela não sei como vai ser”, lamenta Carlos Conde, 43 anos, carpinteiro na Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha.O acidente ocorreu pelas 17h30, de segunda-feira, 26 de Abril, na estrada nacional 110, no sentido Tomar-Atalaia, a poucos metros da placa toponímica da aldeia. “Estava em casa quando ouvi o barulho, abri a porta e vi-a estendida na estrada. Era um mar de sangue”, continua Carlos Conde. Maria de Fátima trabalhava na Junta de Freguesia de Atalaia, através de uma empresa de inserção tutelada pela Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha. “Era uma pessoa extremamente prestável, estava sempre pronta a ajudar”, recorda o presidente da junta João Gralha.Na sede da junta, a família teve sempre um apoio inestimável. Olinda Vital, funcionária da autarquia, acompanha-a desde há vários anos. “Moro perto e ajudo naquilo que posso, a própria junta tem dado o apoio possível” diz. De referir que para o funeral a junta e a igreja prescindiram de todos os custos e emolumentos e a própria agência funerária só cobrou o mínimo possível. “A Comissão Vicentina também se interessou pelo problema e tenho recebido dinheiro de algumas pessoas da freguesia. Toda a gente gostava da Fátima e de toda a família”, acrescenta Olinda Vital.Fátima Almeida e Carlos Conde têm três filhos, duas raparigas maiores e um rapaz ainda menor, mas por apenas um mês. A filha mais velha, Clara, de 23 anos, está no Centro Infantil de Recuperação (CIRE), em Tomar, e é reformada por invalidez; a do meio, Cláudia, tem 22 anos e reside há cerca de um mês noutra freguesia do concelho; Luís, 17 anos, está a frequentar um curso de formação profissional também no CIRE.“Quem tem tomado conta da casa é a namorada do Luís, que há pouco tempo veio viver com ele, e a Cláudia tem vindo cá quase todos os dias”, esclarece Olinda Vital.Nos primeiros dias após a morte de Maria de Fátima, a Santa Casa da Misericórdia da Barquinha forneceu as refeições à família e a assistente social da instituição, Júlia Lucas, é outra das pessoas com quem a família pode contar. “Tem sido incansável”, afirma Olinda Vital.Através de Júlia Lucas, Carlos Conde já foi à Segurança Social para accionar o processo de uma provável pensão de sobrevivência. “A família já esteve ao abrigo do Rendimento Mínimo Garantido e não sei se poderão de novo ser abrangidos, dado que o pai trabalha, a filha mais velha está reformada e o mais novo recebe uma bolsa de estudo, mas à pensão de sobrevivência deverá ter direito”.Até esta terça-feira o processo da morte de Maria de Fátima não tinha dado entrada no Ministério Público porque o condutor da viatura que a atropelou mortalmente também teve de ser hospitalizado. Depois do embate, o veículo chocou contra um poste de electricidade. A GNR de Vila Nova da Barquinha, que tomou conta da ocorrência, aguarda que o condutor, de 43 anos, e residente na vila, se restabeleça. “Temos de fazer o inquérito para depois elaborarmos o relatório que entregaremos ao Ministério Público”, confirmou António Mação, comandante do posto da GNR da Barquinha.
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