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Manter o sabor da tradição

Manter o sabor da tradição

Talhos António Faustino, na Chamusca

Em tempo de festa tradicional como a Ascensão é justo realçar quem se assume como defensor do que é nosso. Do que é genuinamente regional. António Manuel Faustino abriu um talho há seis anos, na Chamusca, sua terra natal e está a provar que a qualidade e a inovação só têm a ganhar quando incorporam conhecimentos ancestrais.

Edição de 12.05.2004 | Economia
Na enorme festa da semana da Ascensão, na Chamusca, de 15 a 23 de Maio, muitos dos petiscos que animam convívios de amigos nas típicas tasquinhas, têm o selo de garantia do Talho António Faustino, também conhecido por talho do mercado. Carne e enchidos genuinamente regionais, preparados por mãos de mestre.António Manuel Faustino, natural da Chamusca, é um bairrista dos quatro costados. Tem 35 anos e começou a lidar com carnes aos 12. Na época aprendia-se fazendo. Em vez dos seis meses de formação profissional exigidos por lei para quem entra no sector, ele tem mais de duas décadas de aperfeiçoamento permanente. E não pára.Entra-se no talho e sente-se que ali nada é deixado ao acaso. Dedicação e gosto pelo que faz são os seus segredos. O amor à arte de que, infelizmente, já não se fala. Primeiro a satisfação dos clientes. Depois o divertimento.O empresário não é escravo do trabalho. No decorrer da semana da Ascensão encontra sempre tempo para petiscar com amigos, assistir a um concerto musical, vibrar com uma largada ou entusiasmar-se com uma tourada, mas sem descurar o trabalho. Em meia dúzia de anos o Talho António Faustino ganhou fama graças à dedicação do proprietário, ao profissionalismo e ao cuidado posto em tudo. Ponto de honra é trabalhar com carnes produzidas no concelho. É o empresário que vai ver e comprar os animais e que os transporta ao Matadouro Regional de Tomar, onde cada talhante tem o seu ferro identificativo.O processo transmite confiança ao comerciante e aos consumidores, apesar de implicar maiores custos. O atendimento é personalizado. No talho do mercado os clientes são tratados pelo nome porque cada cliente é um caso. Num estabelecimento com tanta gente a comprar não é fácil memorizar os gostos de cada pessoa, mas isso é feito. É uma das vantagens da cumplicidade gerada pela proximidade. Ali não há a frieza de relacionamento das grandes superfícies. Para frio já basta o das câmaras frigoríficas.Para além de conhecer as carnes como a palma das suas mãos, António Faustino sabe todos os segredos da desmancha e do corte. Pode parecer exagero mas quem aprecia uma boa carne sabe bem que a forma como é cortada pode melhorá-la ou arruiná-la. O talho de António Faustino está encerrado aos domingos e segundas-feiras. Um talho bem gerido deve chegar ao sábado sem sobras. Os dias de fecho são utilizados para preparar nova semana de trabalho. Nos dias de funcionamento a abertura é às 9h e o encerramento às 19h. Às vezes há um convívio inesperado. Uma reunião de amigos ou de familiares não prevista a necessitar de urgente apoio logístico. O telefone toca e António Faustino nunca abandona um cliente à sua sorte. Entrar no talho António Faustino é uma experiência intensa. Há os aromas dos enchidos. As cores vivas das carnes. Borrego, vaca, porco, aves. Especiarias diversas e produtos regionais também são disponibilizados. Um mundo de bom gosto para satisfazer os sentidos.
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