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Estou em Ascensão

Edição de 12.05.2004 | Opinião
A Chamusca já foi conhecida como uma terra de poetas e de doutores. Hoje fala-se da Chamusca por causa da Semana da Ascensão. Já lá vai o tempo dos doutores e também dos poetas. Não é que os doutores e os poetas não continuem por aí. Os primeiros andarão à procura de emprego, ou a tentar mudar de patrão, ou de profissão, e os segundos, é mais do que certo, em vez de escrever andam a viver a vida.Grande parte da fama que a Semana da Ascensão conseguiu ganhar na região deve-se ao investimento que tem sido feito nos últimos anos. “Não há festa como esta”, diz o slogan, parece que com propriedade, tendo em conta os milhares de pessoas que um simples espectáculo ou uma largada de toiros conseguem trazer à Chamusca durante as nove noites de festa.Há noites em que, quando entramos e saímos de casa, nos interrogamos sobre as razões que levam tanta a gente a visitar a Chamusca, principalmente naqueles dias de festa em que no palco vai estar um cantor pimba, a largada só começa às 2 da manhã, os pavilhões já estão mais do que vistos e para estacionar um carro é preciso subir uma colina ou virar para os lados da beira-tejo e ficar bem longe (bem longe para o nosso espírito de provincianos que quase dormimos com o carro à cabeceira da cama).O que explica o êxito da festa é a tradição. A Chamusca sempre apostou forte neste dia feriado. As pessoas, embora digam e bramem que os tempos já não são o que eram, procuram sempre a memória de uma saudade ou o que ainda resta dela. Ir à festa para ver e ser visto é outra das características que fazem o êxito de uma iniciativa como esta. A Semana da Ascensão também já é um local de encontro. De gente jovem e de outra menos jovem que não quer passar de moda.O que mais surpreende nesta festa é o número de pessoas que se juntam na rua Direita de S. Pedro para verem e participarem na largada de toiros. Em Quinta Feira de Ascensão, por volta das 2 da tarde, o trânsito que atravessa a estrada nacional que passa por dentro da vila é cortado e em cerca de 15 minutos realiza-se a mais espectacular das entradas de toiros que se fazem em Portugal.Nos anos em que os toiros não ficam pelo caminho é tudo tão rápido que o que mais apetece pensar é que a desgraça ajuda à felicidade. O burburinho que se gera e os gritos de alarme que se ouvem quando a entrada corre mal para os campinos e para a organização cria uma adrenalina que só quem nasceu e cresceu nestas terras do Ribatejo é que sabe dar o valor.Os toiros já fugiram para a charneca, já ficaram horas no meio da rua a proporcionar o espectáculo de que todos vão à espera, os cavalos e os campinos já se estatelaram no chão ou foram apanhados pelos toiros durante a largada, enfim, a entrada de toiros de Quinta - feira de Ascensão é, sem dúvida, o ponto mais alto das festas.A Terra Branca, que já foi muito mais branca do que é agora, continua a terra dos sonhos de quem lá nasceu. Só quem não conhece os cantos à vila e não vive a experiência de ir espreitando com alguma frequência os quatro cantos do mundo, é que não sabe avaliar a felicidade de quem mora numa terra de charneca com varanda para o Tejo.JAE

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