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Armazém de vinho é refúgio de toxicodependentes

Armazém de vinho é refúgio de toxicodependentes

IVV não tem meios para conservar o património abandonado em Alpiarça

Grande parte do património do Instituto da Vinha e do Vinho encontra-se ao abandono. É o que acontece com as instalações de Alpiarça, que servem de abrigo a toxicodependentes.

Edição de 12.05.2004 | Sociedade
As instalações do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) em Alpiarça estão ao abandono e transformadas em abrigo de toxicodependentes. No interior do imponente edifício são encontradas seringas com regularidade. Muitos vidros estão partidos. O exterior está minado de ervas, num cenário que evidencia o desleixo a que aquele património do Estado tem estado votado. A situação vem causando alguma preocupação junto de autarcas e população, até porque o edifício da Rua Manuel Ferreira Nunes situa-se junto a um jardim infantil. E há ainda o risco para a segurança dos intrusos, pois no interior das instalações existem depósitos subterrâneos com alguma profundidade. A falta de iluminação no local pode originar quedas graves.O alerta foi dado na quinta-feira, 6 de Maio, pelo presidente da Câmara de Alpiarça, Joaquim Rosa do Céu (PS), durante uma visita do governador civil de Santarém ao concelho onde esteve presente o presidente do IVV, Manuel Correia Pombal. O autarca pediu a intervenção do IVV de forma a vedar o acesso ao local e garantir as “condições mínimas de segurança”.Mas o presidente do IVV, que reconheceu as “condições muito deploráveis” em que se encontra o antigo armazém vinícola, “à semelhança de outros espalhados pelo país”, declarou que o instituto não tem meios para avançar com as necessárias obras. Sugeriu, por isso, que fosse a autarquia a tomar a iniciativa.Património à venda por todo o paísCorreia Pombal revelou ainda que a política do IVV passa pela alienação do património herdado da Junta Nacional do Vinho, extinta em 1986, fazendo reverter essas verbas para a modernização de equipamentos necessários na área laboratorial. “Na actual fase de constrangimentos financeiros, o IVV não pode prescindir do valor do seu património”, diz Correia Pombal. É o caso das instalações de Alpiarça e de outros edifícios outrora destinados a armazenamento de vinho em Almeirim e Santarém. Até porque, como justificou o presidente do IVV, “essa capacidade de armazenamento já não é necessária, porque o Estado deixou de ter a função reguladora do mercado com a adesão à Comunidade Europeia”.Todo o património do IVV está a ser avaliado pela Direcção Geral do Património do Estado. Já foi feito um estudo preliminar sobre o destino que pode ser dado a esse acervo imobiliário.No caso de Alpiarça, Correia Pombal diz que assim que estiver feita a avaliação das instalações do IVV “será dado destino aquela área, que será o mais adequado no âmbito do Plano Director Municipal”. O mesmo se passa em Almeirim e em Santarém, onde a solução será encontrada em articulação com os respectivos municípios. “Não pretendemos que alterem os PDM, mas também gostávamos que não nos dificultassem a vida”, afirmou o presidente do IVV.Para as instalações de Almeirim, chegou a ser anunciada, em 1999, a criação de um Centro Histórico Vitivinícola Nacional. Mas a falta de dinheiro fez com que o IVV abandonasse a ideia. E a autarquia, sozinha, não tem capacidade para erguer a obra. “O processo parou”, admite Correia Pombal. E a solução “provavelmente será a venda”.Quanto às instalações de Santarém, que têm ainda serviços em funcionamento, Correia Pombal diz que o futuro será equacionado no âmbito do processo de reestruturação do IVV, que pode ditar o seu encerramento.
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