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Banda de Santarém pode parar de tocar

Problemas financeiras estão a dificultar a sobrevivência da associação
Edição de 12.05.2004 | Sociedade
A centenária Banda de Santarém corre o risco de fechar portas caso se mantenham os atrasos nos pagamentos por parte da Câmara Municipal de Santarém, que já atingiram os quatro mil euros. O alerta foi deixado pelo presidente da direcção, António Reis, que está convencido que a associação atravessa um dos períodos mais conturbados da sua existência. “A situação é de tal forma difícil que não sabemos por quanto tempo mais poderemos continuar de portas abertas”, revela.António Reis explica que há vários meses que não recebem os 400 euros mensais da autarquia referentes ao protocolo celebrado, o que tem impossibilitado a associação de fazer face às despesas, uma vez que é o único apoio que possuem.O maestro, a única pessoa remunerada na associação, já apresentou o pedido de demissão por ter três meses de ordenado em atraso. “Não havendo dinheiro para pagar ao maestro, não há banda. Não havendo banda a escola de música também não funciona”, argumenta.A banda, criada há 110 anos, é uma instituição que tem estado ao serviço da população e disponibiliza o acesso gratuito à música a jovens, alguns dos quais não teriam capacidade financeira para suportar uma mensalidade numa escola privada.Na sede, na Rua Miguel Bombarda, no centro histórico de Santarém, funcionam aulas de música quatro vezes por semana que abrangem 20 alunos, alguns dos quais já executantes. Os alunos não pagam qualquer mensalidade, a não ser uma pequena contribuição que pedem aos pais e que, normalmente, não é muito elevada.António Reis explica que a banda não tem meios para dinamizar actividades, como acontece com as associações das pequenas aldeias que organizam bailes e têm bares a funcio-nar. O presidente da direcção explica que a banda já contactou sócios e empresas do distrito, mas que devido à crise que ainda se sente, não participaram.António Reis revela que os atrasos nos pagamentos colocam também em risco a organização do III Encontro de Bandas que se deveria realizar a 10 de Junho. “Fica em causa a imagem da banda e da própria cidade”, analisa.O responsável diz ainda que a autarquia prometeu subsídios para a renovação do fardamento e para o arranjo da sede, mas queixa-se que até ao momento não tiveram qualquer informação por parte da câmara, que deve ainda à banda um espectáculo de Setembro do ano passado. “Temos a nítida sensação que andam a brincar connosco. Vêm cá encarregados da câmara, mas depois a obra não se verifica”, reclama. Contactada pelo nosso jornal, a vereadora da cultura da Câmara de Santarém, Idália Moniz, afirma não ter qualquer informação sobre o apoio para fardamentos ou recuperação da sede.Em relação ao atraso nos pagamentos explicou que “a autarquia atravessa uma situação financeira irregular”, que se deve a vários factores, entre os quais o corte substancial do investimento público em Portugal nos últimos anos.Idália Moniz adianta que existem outros protocolos por regularizar, mas considera que não faz sentido que a banda dependa única e exclusivamente do apoio financeiro da autarquia. “Temos outras associações que desenvolvem as suas actividades e encaram o apoio da câmara como uma ajuda que é sempre bem vinda”, afirmou.Sem querer adiantar quando é que a situação poderá ficar resolvida, a vereadora revelou apenas que, na quinta-feira, 13 de Maio, a câmara vai reunir com as várias associações do concelho a fim de informar as direcções sobre a actual situação.

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