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PSP acusado de desviar objectos apreendidos

Denunciado pelos colegas

Um polícia de Vila Franca de Xira é acusado de ter ficado com parte da mercadoria apreendida a um comerciante chinês. A PSP apresentou queixa e o guarda, que é suspeito de outros furtos dentro da esquadra, pode ser suspenso.

Edição de 12.05.2004 | Sociedade
Um guarda da PSP a prestar serviço na esquadra de Vila Franca de Xira é suspeito de ter praticado um crime de apropriação de bens apreendidos numa operação de fiscalização. A instituição apresentou uma queixa ao Ministério Público e está a promover um inquérito interno que pode levar à suspensão do polícia. A participação refere o desaparecimento de vários objectos de valor insignificante, apreendidos por uma brigada da PSP a um comerciante chinês, que vendia ilegalmente junto da estação rodoviária da cidade. O guarda é suspeito de ter ficado com parte dos bens apreendidos e a denúncia foi feita pelos próprios colegas envolvidos na operação.O homem com cerca de 42 anos e residente na Ota, concelho de Alenquer, é também suspeito de ter furtado valores e objectos pessoais a colegas de serviço no interior da esquadra. O MIRANTE apurou junto de vários guardas que a suspeição já existe há vários meses e era do conhecimento do sub-comissário que dirige a esquadra. Fonte do comando da PSP confirmou que, após o último incidente, o oficial elaborou um relatório que foi enviado para o Núcleo de Deontologia e Disciplina da PSP, “uma espécie de juiz de instrução criminal da polícia”, que desencadeou a investigação e preparou a queixa entregue no Ministério Público de Vila Franca de Xira.A mesma fonte confirmou a existência de rumores de que o guarda já teria praticado outros ilícitos, mas nunca terá sido apresentada qualquer queixa. “Se eu lhe pudesse dizer o que desapareceu, o senhor iria rir-se. Foram umas bugigangas sem grande valor”, disse a mesma fonte.“Mas quem furta coisas sem valor também poderá furtar outras e, por isso, a PSP tomou as medidas indicadas nestes casos”, acrescentou.Alguns guardas que trabalham há vários anos com o polícia referiram que o homem é suspeito de se ter apoderado dos mais variados objectos e admitem a hipótese de sofrer de cleptomania, uma alteração comportamental que leva as pessoas a furtarem tudo, mesmo aquilo de que não precisam.Na esquadra de Vila Franca de Xira prestam serviço quase 80 pessoas e não se conhecem casos anteriores.A “doença” de quem não resiste a roubarO que é a cleptomania?O que é que leva uma advogada a furtar um creme de beleza numa grande superfície, ou uma mulher abastada a colocar na mala um saco de camarão para não o pagar na caixa, ou um deputado a furtar uma caneta de 25 euros numa papelaria, ou ainda uma actriz famosa a furtar uma peça de roupa. Todos estes casos são conhecidos de O MIRANTE e passaram-se nos últimos meses. À primeira vista, estes “ladrões” de punhos brancos sofrem de cleptomania.A psicóloga Maria Teresa Alves explica que a cleptomania é um transtorno caracterizado pela impossibilidade de resistir ao impulso de roubar objectos. Os produtos furtados pelos cleptómanos não são roubados para sua utilidade imediata, ou para serem convertidos em dinheiro. O autor do furto actua, quase sempre, sozinho. Muitas vezes, desfaz-se dos objectos, oferece a terceiros, ou guarda-os à espera de lhes dar um fim.Este comportamento é acompanhado, habitualmente, de um estado de tensão crescente antes do acto e de um sentimento de satisfação durante e imediatamente após sua realização. O roubo não é praticado para expressar raiva, ou vingança, e não é uma resposta ao delírio ou à alucinação. Curioso, é que na maior parte dos casos, quem rouba condena o acto, reconhece a gravidade da prática e fica com sentimento de culpa por ter roubado. Os indivíduos afectados pela cleptomania, frequentemente, têm outros distúrbios mentais, tais como depressão nervosa, distúrbio bipolar, anorexia nervosa, bulimia nervosa, ou distúrbio da ansiedade. Adultos com cleptomania roubam porque isto oferece alívio, ou conforto emocional, e fazem-no com maior frequência quando estão deprimidos. São raros os casos de doentes que procuram tratamento antes de serem apanhados a furtar. Estudos feitos com ladrões de lojas sugerem que só uma pequena parcela (de 1 a 8%) representa casos verdadeiros de cleptomania e que o problema afecta mais as mulheres. Apesar de não ser conhecido tratamento para a cleptomania, a ajuda de um psicólogo é fundamental e os medicamentos anti-depressivos ou com propriedades estabilizadoras do humor, minimizam o risco.

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