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Uma prenda à cidade natal

Uma prenda à cidade natal

Museu Municipal de Tomar inaugurado com cem obras doadas por José-Augusto França
Edição de 12.05.2004 | Sociedade
O Museu Municipal de Tomar foi inaugurado domingo, sem a presença do Presidente da República, ao contrário do que fora anunciado. Do seu espólio fazem parte cem obras de artes plásticas doadas por José-Augusto França.Obras dos principais artistas plásticos portugueses, sobretudo das décadas de 40 a 70, enchem os três pisos da Galeria de Arte Contemporânea do Museu Municipal de Tomar, inaugurada pelo ministro da Cultura, Pedro Roseta, no domingo, 9 de Maio. As peças de pintura e escultura faziam parte da colecção particular do historiador e crítico de arte tomarense José-Augusto França e foram doadas à sua cidade natal.“Não sou um coleccionador, falta-me fortuna, espaço e espírito de caçador de arte. Esta colecção nasceu da amizade e camaradagem”, disse José-Augusto França falando defronte à primeira obra que comprou ainda aluno de liceu - “aquela lindíssima cabeça de Júlio Reis Pereira” -, uma das cerca de 100 obras expostas na Galeria de Arte Contemporânea do Museu Municipal de Tomar.Uma escultura de José Guimarães e um painel em azulejo de Eduardo Néry, obras expressamente concebidas para o local, marcam a entrada do museu, instalado num velho edifício da Rua Gil de Avô, no centro histórico de Tomar. As obras de adaptação foram realizadas com a colaboração do Instituto Português de Museus e projectadas pelo arquitecto Jorge Mascarenhas. A colecção de José-Augusto França, nascido em Tomar em 1922, é marcada pela qualidade e coerência do gosto pessoal, características valorizadas pelo ministro da Cultura que, parafraseando António Alçada Baptista, afirmou: “A cultura tem que ser uma transmissão de afecto”.Pedro Roseta elogiou também o facto de a doação ser feita ainda em vida, um sinal que deveria ser seguido por outras pessoas que, possuindo várias obras, poderiam enriquecê-las, doando-as para a posteridade.Almada Negreiros, Vespeira, Júlio Resende, António Dacosta, Fernando de Azevedo, Ana Vidigal, Cutileiro, Mário Elóy ou António Palolo são alguns dos autores das obras doadas que representam a criação nacional das correntes surrealista, abstraccionista ou nova-figuração, incluindo ainda várias peças modernistas e pós-modernistas. Entre elas constam 10 quadros seleccionados por José-Augusto França em “100 Quadros Portugueses no século XX”, obras de artistas distinguidos com os prémios anuais da Association Internationale des Critiques d’Art – AICA, instituídos em 1981, e os três titulares do prémio Maluda para jovens pintores (1999-2002).A disposição das obras foi escolhida por José-Augusto França que durante os trabalhos de recuperação do edifício, com a ajuda do pintor Fernando Azevedo, “um amigo de longa data” recentemente falecido, determinou onde deviam ficar os quadros ou as esculturas e com que iluminação. Para o presidente da Câmara Municipal de Tomar, António Paiva, “os tomarenses sentem-se orgulhosos porque José-Augusto França nasceu em Tomar e foi a Tomar que quis deixar a sua obra”.No domingo, dia 9, foi também inaugurada uma exposição bibliográfica de José-Augusto França na Galeria dos Paços do Concelho.
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