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Hotéis cheios apesar dos preços

Para o Euro 2004
Edição de 19.05.2004 | Economia
O Euro2004 fez aumentar os preços, nalguns sectores em mais de 50 por cento, e fez fugir muitos turistas, mas ainda assim os hotéis, com aumentos de 25 por cento, estão cheios em Junho.Quando falta menos de um mês para começar o Europeu de futebol (12 de Junho a 4 de Julho), a Agência Lusa questionou alguns dos principais sectores ligados ao turismo, segundo os quais as expectativas para os próximos meses são boas, embora para outros o Euro só lhes traga prejuízos.Estão neste caso agências de viagens, que face ao agravamento dos preços têm mais dificuldade em trazer este ano a Portugal o turismo habitual.No entanto, o sector hoteleiro está optimista, porque praticamente todas as unidades das regiões onde se vão disputar jogos estão cheias. Só na área de Lisboa surgiram, no último ano, mais 1.600 camas, o que equivale a um aumento de 25 por cento da oferta, mas praticamente está tudo cheio, como disse Luís Alves de Sousa, presidente da Associação dos Hotéis de Portugal (AHP).Portugal, de acordo com Alves de Sousa, que cita dados da Direcção Geral de Turismo, dispõe de cerca de 240 mil camas licenciadas, o que não contempla o mercado paralelo.A um mês do “pontapé de saída” do Campeonato da Europa de futebol os hotéis das cidades onde se realizam jogos estão cheios, diz Alves de Sousa, que sintetiza assim a situação actual nesta matéria: “a ocupação está boa”.A “pressão”, refere, atinge também as zonas mais distantes, chegado mesmo a Viseu, a Amarante, ou à Póvoa de Varzim. E no Algarve, entre 12 e 21 de Junho, os hotéis estão completamente cheios, embora haja ainda camas em outros empreendimentos, como os aldeamentos.Tudo isto quando os hotéis registaram, em média, um aumento de preços de 25 por cento no mês de Junho. Alves de Sousa ressalva no entanto que há hotéis que estão a praticar preços muito mais elevados e que também há casos em que os aumentos não se aplicam aos clientes habituais.Actualmente Portugal não precisa de mais hotéis mas sim de mais mercados e clientes, segundo Alves de Sousa, que está optimista quanto ao futuro e ao impacto do Euro, uma iniciativa que vai ser falada no mundo inteiro e trazer a Portugal oito mil jornalistas.É também por isso que José Manuel Esteves, secretário-geral da ARESP - Associação da Restauração e Similares de Portugal, está preocupado com questões como “o folclore degradante” que são as “barracas” nas imediações dos estádios.Preocupado em dar uma boa imagem do país, José Manuel Esteves garante que não vai haver aumentos extraordinários de preços nos restaurantes, bares ou discotecas, salvo os que podem ocorrer “nos estabelecimentos de ‘vão de escada’, não licenciados”.Preocupações com a higiene e a segurança são frisadas pelo responsável, que quer ver nos estabelecimentos ligados à restauração que fiquem perto dos Estádios menus nas línguas dos países a jogar, além do português e inglês.“Portugal tem produtos alimentares mais caros do que Espanha, mas não é possível que haja especulação neste período, há muito rigor na operação interna, nos estádios e envolvente, há um trabalho com as inspecções económicas, com as câmaras municipais”, frisa.A ARESP vai mesmo editar um guia com os estabelecimentos que aconselha e que se comprometeram a respeitar todas as regras de higiene e segurança e a não especular nos preços.Portugal tem um estabelecimento de restauração para cada 95 habitantes, quando a média europeia é de um para 400, pelo que não há falta de cafés, pastelarias, cervejarias, restaurantes, bares ou discotecas, diz o responsável.Com este “excesso de oferta” mais difícil ainda seria haver aumentos de preços, até porque “o turista é um consumidor esclarecido”.E “não veio ajudar em nada” é precisamente a frase de Leonor Abrantes, guia-intérprete, que garante haver muito menos turismo cultural este ano, “assustado” com os preços elevados, nomeadamente na hotelaria.“Os meus colegas dizem todos o mesmo: Maio foi fraco e Junho não está a ser grande coisa. As pessoas também têm medo dos atentados”, diz Leonor Abrantes.Não há dados sobre os efeitos do terrorismo no turismo português e no campeonato europeu de futebol, mas Mariana Delgado tem um exemplo paradigmático: depois dos atentados em Espanha todos os programas com belgas e franceses que incluíam Madrid foram cancelados. Mesmo todos.

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