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Uma freguesia jovem mas cheia de tradição

Uma freguesia jovem mas cheia de tradição

Meia Via, no concelho de Torres Novas a dois passos do Entroncamento

A Meia Via é a mais nova freguesia do concelho de Torres Novas. Entalada entre a sede de concelho e o Entroncamento, a terra tem vivido nos últimos anos em ritmo de crescimento acelerado. As obras multiplicam-se e o número de habitantes não pára de aumentar. O ponto alto do calendário anual dá-se entre 29 e 31 de Maio, com as festas do Divino Espírito Santo.

Edição de 19.05.2004 | O poder local aqui tão perto
Meia Via a meio caminho entre o Entroncamento e Torres Novas, sempre foi conhecida pelo seu bairrismo e preservação das tradições. A Festa do Divino Espírito Santo, o gosto pela música e pelo teatro são exemplos da dinâmica dos meiavienses que nunca baixaram os braços para elevarem a sua terra a freguesia.Foi terra rural, onde os jornaleiros esperavam nos bancos da praça para serem contratados para mais um dia ou uma semana de trabalho. A maior parte tinha o seu ganha-pão numa das quatro quintas que rodeavam a aldeia – Carvalhais, Rainha, Juge e Vaz.Depois veio a industrialização e os meiavienses começaram a arranjar trabalho nos caminhos-de-ferro no Entroncamento e nas fábricas em Torres Novas. A agricultura nos campos do aspargal, que como se diz na zona não aguentam o frio nem o calor, foi sendo mecanizada. A população deixou de ser camponesa para se tornar operária.E, sabe-se lá porquê, sempre teve grande gosto pela música e pelo teatro, que ainda hoje se mantém. Não é vulgar haver um teatro – o Teatro Maria Noémia à espera de recuperação há vários anos – numa pequena aldeia do interior. Dantes era conhecido pela Tuna, onde se reuniam os menos afectos ao regime. Mais abaixo, na mesma rua, era e ainda é a Sociedade Filarmónica Euterpe Meiaviense (SFEM), que noutros tempos era frequentada pelos mais conformados com a situação. Havia uma certa rivalidade de que os mais velhos bem se lembram. Mas era no fim de Maio, exactamente 50 dias depois da Páscoa, que toda a população saia à rua para a sua festa, a Festa do Divino Espírito Santo, ou do Bodo. A aldeia enchia-se de mendigos que pelo menos por algum tempo podiam matar a fome com os pedaços de carne, o bodo. As rezes continuam a ser compradas pelos mordomos, mas já vêm abatidas e, felizmente, não há mendigos que esperem pela esmola. Este ano a festa é de 29 a 31 de Maio e o ritual mantém-se. A coroa do Espírito Santo vai ficar exposta no “quarto da prenda” em casa do juiz da festa desde quinta-feira da Ascensão, sairá na procissão de domingo dia 30 e na segunda-feira será entregue ao novo juiz que, por sua vez, abrirá outro “quarto da prenda”, para que a coroa possa ser vista até ao dia de Corpo de Deus. No sábado anterior à procissão, é o “sábado das moças”, quando as raparigas da aldeia, vestidas de noiva, vão desfilar com os seus pares pelas ruas da aldeia com os tabuleiros enfeitados à cabeça. Aproveitar o que os outros não queremA Meia Via, dois anos depois de se tornar sede de freguesia, tem motivos para se orgulhar. Os loteamentos urbanos, já anteriormente programados, quando concluídos e habitados vão aumentar a população em quase mais 3.000 habitantes, fazendo com que esta freguesia se torne uma das mais populosas do concelho de Torres Novas.Se esses são investimentos particulares, a junta, com o escasso orçamento de cerca de 35 mil euros anuais para gerir cinco quilómetros quadrados e dois mil habitantes, mostra trabalho. Na Meia Via “faz-se o milagre dos pães”, diz o presidente da junta José Gil Serôdio (PS). A “multiplicação” não tem nada de milagroso, mas antes o aproveitamento de todos os apoios que as várias instituições oficiais facultam.Através do Centro de Emprego, foram colocadas na freguesia seis pessoas. Uma na sede da junta, construída no actual mandato, e cinco em arranjos e limpeza da povoação, conhecida pelas suas casas caiadas e recantos bem cuidados.“O que os outros não querem nós aproveitamos”, continua José Gil. E assim trouxeram para a Meia Via dois pavilhões pré-fabricados retirados da Escola Secundária Maria Lamas, em Torres Novas. Num deles vão construir uma nova cantina para a escola do primeiro ciclo do ensino básico, dado que a existente apenas tinha espaço para as crianças do pré-escolar. O outro foi colocado junto ao campo do Operário Meiaviense e funciona como bar. As obras não param e nenhuma das contrapartidas é desperdiçada. A ampliação do cemitério vai ser feita sem encargos para a câmara e para a junta, pela empresa que está a construir a nova conduta de água para Lisboa e instalou o estaleiro em terreno da junta.A edificação de uma nova extensão de saúde parece mais problemática. A Meia Via tem médico desde antes do 25 de Abril e há mais de 20 anos que o posto médico funciona numa cave que está longe de corresponder às exigências, apesar da junta ter comprado mobiliário novo.A Meia Via é a mais nova das freguesias do concelho de Torres Novas, criada por decreto lei de 19 de Abril de 2001, mas as lutas pela desanexação da freguesia de Santiago, de que fazia parte, começaram na década de 20 do século passado. O processo parou ali e quase 60 anos depois, quando o actual presidente, José Gil Serôdio (PS), foi eleito vereador na Câmara de Torres Novas pela então APU (Aliança Povo Unido), foi retomado.A assembleia municipal chumbou o processo que, mais uma vez, foi reiniciado em meados de 90. Foi então constituída a comissão para a criação da freguesia da Meia Via, de que faziam parte entre outros o actual presidente da junta e o anterior presidente de Santiago, José Graça, também eleito pelo PS. E dessa vez foi para valer.Margarida Trincão
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