uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Morar nos Casais da Bufinha provoca risos e embaraço

Habitantes por vezes “escondem” origem
Edição de 19.05.2004 | Sociedade
As donas do Café Alexandre, mãe e filha, não escondem o embaraço que lhes provoca pronunciar o nome da terra onde vivem, um lugar da freguesia de Achete (Santarém) chamado Casais da... Bufinha.“Da última vez que fui ao hospital, quando me perguntaram a morada, respondi D. Fernando (o lugar mais próximo), mas o endereço já lá estava, de uma deslocação anterior, e não pude evitar os sorrisos”, confessa a filha, Anabela Ruço Henriques.Já a moradora da casa situada junto à única placa identificadora do lugar (a outra foi derrubada por um carro e não voltou a ser substituída), D. Rufina Henriques, assegura não ficar embaraçada com o nome da sua terra.Um seu sobrinho, Ruben Finote, andou à procura da origem do nome da povoação, motivado por uma provocação do programa televisivo “Noites Marcianas”, onde acabou por contar uma das três versões orais que conseguiu reunir, porventura a mais improvável.Ruben confessou à Agência Lusa que contou a versão mais adequada ao teor do programa - a de que uma donzela, que passeava por aquelas bandas depois de um farto almoço, se descuidou dando um “traque” -, mas está mais inclinado para a que coloca a sua origem na alcunha das primeiras famílias que habitaram o lugar.Há ainda a que lhe foi relatada pelo pároco da aldeia, segundo a qual o nome provirá do facto de por ali existirem bufos, uma ave cujas crias são conhecidas por bufinhas.Reconhecendo que as pessoas do lugar não gostam de dizer que são dos Casais da Bufinha - “gera sempre muito riso” -, Ruben Finote avança ainda outra “suposição”, a de que o nome poderia ter sido “Casais do ou da Boquinha”.Apesar da curiosidade de quem passa pelos Casais da Bufinha, não existem muito mais respostas, nem na sede da junta de freguesia, em Achete, cujo presidente, Júlio Saramago, remete para as pesquisas de Ruben Finote, nem na Biblioteca Municipal de Santarém.Na pasta de Achete encontram-se explicações para o nome da sede da freguesia - que deriva da palavra árabe Axxat e significa povoação da ovelha ou que ali foi Achada uma imagem de Nossa Senhora e depois passou a Achete ou ainda que é um nome mozárabe proveniente de Achetha (azeda) - e de outros lugares.É o caso de D. Fernando, lugar denominado pelo próprio monarca numa das suas estadas em Santarém, a exemplo do que fez com o nome de sua mãe (mulher de D. Pedro I), que deu ao lugar que hoje se chama Bairro D. Constança.Da freguesia, de que constam ainda lugares com os nomes de Casais d’El Rei ou D. Belida, com referências que remontam ao século XIV, ressaltam ainda outras raridades, como as de possuir uma fonte de águas termais indicadas para doenças de pele (durante algum tempo aproveitadas numas termas da freguesia vizinha de Alcanhões).Sem qualquer história para contar sobre os Casais da Bufinha, fica a saber-se, de registos muito antigos, que o presbítero escalabitano Luíz Montez Matoso testemunhou, com os seus próprios olhos, em 1748, numa fonte existente entre D. Fernando e Monte Gordo, conhecida por Fonte das Almas, “efeitos que parecem extraordinários” e que atraíam “milhares de pessoas de toda a província da Estremadura e também do Alem Tejo”.Lusa

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...