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Noivos iam ficando sem boda

Noivos iam ficando sem boda

Caso insólito no Sardoal

Um casal do Sardoal bateu com o nariz na porta do restaurante para onde tinha marcado a boda e ficou indignado com o sucedido. Os noivos contactaram a Deco. O proprietário do restaurante ameaça apresentar uma queixa por difamação. O almoço de casamento teve de se realizar num concelho vizinho.

Edição de 19.05.2004 | Sociedade
Festa sem boda não passa pela cabeça de ninguém. E quando toca a casamentos, com mais ou menos gente, há sempre uma boa refeição à espera. Mas no Sardoal um jovem casal depois de ter sido abençoado pelo padre chegou à porta do restaurante, onde deveria continuar a festa, e deu com o nariz na porta.As versões dos noivos e do dono do restaurante são contraditórias. Para o casal, Pedro e Sandra Sousa, o proprie-tário da Quinta dos Moinhos, no Sardoal, mostrou “leviandade, incúria, negligência e incompetência profissional”. Francisco Assis Baptista, o visado, argumenta que os noivos falaram com ele, mas não confirmaram o almoço. “E sem confirmação é como se nada tivesse sido tratado”.O certo é que a festa acabou por se fazer, mas num restaurante da localidade vizinha de Vila do Rei e nenhuma das partes tenciona esquecer o assunto para já. “O dia do casamento é uma data importante. Toda a gente quer que corra bem, que não haja nada de mal”, diz Sandra Sousa que ainda não acha muita graça ao que lhe aconteceu. Pedro mostra mais desportivismo, mas não esconde a indignação: “Ela quando viu que o restaurante estava fechado começou a chorar, eu nem sabia o que fazer”.Na altura, contactaram telefonicamente Francisco Assis Baptista que, na opinião dos noivos, “tentou justificar-se com desculpas esfarrapadas, mas posto perante os factos, não teve argumentos para explicar o sucedido”.Do outro lado, Francisco Baptista, que também é presidente da Associação Comercial e Serviços de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, rebate: “É verdade que o Pedro falou comigo, escolheu a ementa, acertámos o preço, disse-me que seriam cerca de 30 pessoas e fiquei à espera da confirmação. Na quinta ou sexta-feira antes tentei falar com ele para a firma onde trabalhava, ou de que era sócio, e ninguém me atendeu. Foi nessa altura que soube que a empresa tinha fechado”.Pedro Sousa considera este argumento perfeitamente descabido: “Ninguém se esquece de confirmar a festa de casamento e ficou tudo tratado quando falamos com ele a 19 de Abril. A única coisa que ficou pendente foi o número de pessoas”.Com o restaurante fechado houve que arranjar alternativas, pois a fome já apertava. Para evitar mais incómodos foi contactado um restaurante de Vila de Rei. E o almoço correu bem: “Fomos muito bem servidos e comemos quase a mesma coisa que tínhamos escolhido”. Contas complicadasMas o caso não acabou aí. Quando os noivos pediram a conta, foram informados que não tinham nada a pagar e que as contas seriam feitas com Francisco Assis Baptista.“Não queríamos acreditar. A Francisco Baptista não tínhamos nada a pagar, ele não nos tinha fornecido qualquer serviço”, afirma Pedro Sousa que ainda ficou mais irritado quando percebeu o que entre Francisco Baptista e o gerente do restaurante de Vila de Rei tinha havido combinações.“É uma atitude de franca deslealdade, de falta de ética comercial e de atropelo às garantias dos clientes, ninguém no restaurante nos informou previamente dessas condições. Se o tivessem feito, teríamos recusado”, garantem.Francisco Baptista diz que tentou ajudar a resolver o problema e como Pedro Sousa tinha combinado determinada forma de pagamento com ele, as contas seriam feitas entre ambos. “Estou de consciência tranquila, há 20 anos que estou neste ramo. Se o Pedro me disse que pagava fraccionadamente, pensei que não teria disponibilidade para pagar tudo de uma vez”, explicou.Pedro Sousa confirma que acordou pagar o almoço por duas vezes, mas isso foi noutra fase do processo. Para Francisco Baptista o custo do almoço é assunto que não o preocupa: “Se me pagarem entrego o dinheiro a uma instituição de caridade”. No entanto, sente-se lesado porque o jovem casal Sousa escreveu uma carta que tornou pública, onde “difama” o fun-cionamento da Quinta dos Moinhos: “A Quinta ainda não está aberta há um mês e dizerem que já tinham ouvido críticas negativas e reclamações… Isso é difamação e poderei mover-lhes um processo”.Mas também neste ponto Pedro e Sandra não estão parados. O que lhes aconteceu no dia do casamento foi comunicado à DECO: “Quem me atendeu disse-me que havia motivos suficientes para agir”, dizem.
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