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Reduzir os acidentes de trabalho

Analídio Gomes é técnico de higiene e segurança

Verificar se existem riscos de queda em altura, perigo de electrocussão ou entalamentos é a missão do técnico de higiene e segurança no trabalho. Analídio Gomes percorre diariamente as obras da Teixeira Duarte no centro e sul do país para ajudar a reduzir o perigo de acidentes no trabalho.

Edição de 19.05.2004 | Sociedade
O relógio ainda não marca as seis da madrugada quando Analídio Gomes deixa a sua residência na Várzea, Santarém, e parte em direcção às obras da empresa de construção Teixeira Duarte espalhadas pelo centro e sul do país. A sua missão é verificar as condições de segurança em que trabalham os operários.Assim que chega ao local, o técnico de higiene e segurança no trabalho contacta os responsáveis e começa o percurso pela obra. Desde a entrada à saída verifica se existem riscos de queda em altura, perigo de electrocussão ou entalamentos. As denominadas zonas sociais, como as cantinas, dormitórios e salas de estar, são outros dos locais visitados pelo técnico de segurança.“Felizmente há registo de uma melhoria significativa nas condições de trabalho. As pessoas já têm formações e estão mais sensibilizadas para a prevenção”, garante o técnico. Apesar de tudo, Analídio Gomes adianta que os acidentes de trabalho que continuam a registar-se devem-se sobretudo a erros humanos. “A maior parte acontece por descuido, não é por falta de formação. Há ainda muito a ideia de que essas coisas só acontecem aos outros”.A realização de vistorias, auditorias e o acompanhamento das obras são o dia a dia do técnico de higiene e segurança. “O nosso trabalho é verificar quais são os riscos para os corrigir”, resume Analídio Gomes, 53 anos.Todos os dias o técnico, que integra o Departamento de Segurança, Qualidade e Ambiente da empresa, percorre mais de 300 quilómetros entre as obras dispersas de Lisboa ao Algarve. A recuperação do Teatro Sá da Bandeira, no centro histórico de Santarém, foi uma das obras acompanhadas.O técnico é também responsável pela formação dos operários durante a obra. Utiliza meios audiovisuais e diapositivos para cativar os trabalhadores e ensinar como se deve agir em caso de acidente. Todos os trabalhadores devem usar capacete, botas, luvas, óculos, máscara de protecção e arnês, caso trabalhem em altura.Todas as obras têm um plano de segurança e saúde, a que Analídio Gomes chama a “bíblia” da construção civil. “Se toda a gente respeitasse os planos de segurança e saúde os acidentes de trabalho poderiam chegar a zero”, garante.Assim que entram em obra, os trabalhadores recebem também uma ficha onde constam as regras de segurança a cumprir. “Quem não respeita é convidado a sair”. Aos novos trabalhadores são transmitidas algumas noções no início, mas as acções de formação repetem-se durante o tempo de duração da obra. A prevenção é a grande aposta da empresa para prevenir os acidentes de trabalho. “Tudo o que gastamos para evitar o acidente é bem empregue. O nosso lema é que em primeiro lugar está a segurança”, assegura o técnico.Nas obra são normalmente detectados pequenos pormenores que o técnico regista para que sejam corrigidos. É o caso de buracos descobertos no chão ou acessos a escadas que não estão correctos.O despiste dos trabalhadores que operam sobre o efeito do álcool também faz parte do dia a dia do técnico. Os valores permitidos são os mesmos da prevenção rodoviária.Desde que trabalha como técnico, Analídio Gomes só teve registo de um acidente mortal na obra de construção da estação de caminho de ferro de Queluz. O operário trabalhava em altura, quando um arame atingiu a catenária, que lhe provocou a morte por electrocussão.Analídio Gomes trabalha há 37 anos na Teixeira Duarte. Começou como apontador e encarregado de obras e trabalhou durante uma década em Angola ao serviço da empresa. Só há 10 exerce funções de técnico de segurança no trabalho. Para ter acesso à carteira profissional frequentou no ano passado o Curso de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências do Centro de Formação Profissional de Santarém, que lhe deu a equivalência ao 9º ano de escolaridade.O capacete, as botas, o caderno de apontamentos, a máquina fotográfica e o computador portátil são os utensílios que utiliza diariamente. O dia do técnico nunca acaba antes das 20h00, depois de longas horas de viagem. O vencimento de um técnico de segurança ronda os 750 euros.Analídio Gomes gosta da sua profissão e não trocaria o trabalho de técnico por nada. “Não só porque não estou sempre no mesmo lugar, mas também porque se convive com muita gente”. Só se sente desencorajado quando os conselhos de segurança que transmite não são tomados em conta para ajudar a que os riscos sejam reduzidos ao mínimo.Ana Santiago

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