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Toiros não se aguentavam em pé

Toiros não se aguentavam em pé

Polémica na corrida de Quinta-feira de Ascensão na Chamusca

Correu mal o cartaz tauromáquico da Semana da Ascensão, na Chamusca. Na quinta-feira os touros não se aguentaram nas patas e impediram a sua lide. No sábado, foi o mau tempo que levou ao cancelamento da corrida nocturna.

Edição de 26.05.2004 | Cultura e Lazer
A tradicional corrida de touros de Quinta-feira de Ascensão na Chamusca ficou marcada por uma forte polémica. Os animais, da ganadaria dos herdeiros de Manuel José Úrsula, pouco depois de entrarem na arena começavam a tremer e não se aguentavam nas patas acabando por cair, não dando a mais pequena hipótese de lide. Uma situação anormal que levou muita gente a questionar o que se passava com os touros.Nas bancadas, muito bem compostas de público, que pagou caro para assistir ao espectáculo, as manifestações de desagrado dirigidas ao empresário, ao ganadeiro e mesmo ao director de corrida e ao veterinário que o acompanhava, foram intensas.Ao lado do repórter de O MIRANTE, um aficionado mais calmo, ao mesmo tempo que ia dizendo que nas centenas de corridas a que tinha assistido nunca vira uma coisa assim, dava algumas explicações para o que estava a acontecer. “Ou drogaram os animais ou deixaram cair-lhes a porta dos curros em cima”. Nenhuma destas situações foi confirmada, mas na realidade algo de muito mau se passou com os animais.Um dos representantes da ganadaria, que pediu para não ser identificado, garantiu a O MIRANTE que não foi uma situação normal e que algo de muito grave se passou durante o tempo em que os touros estiveram nos curros da praça. “Escolhemos os touros com critério para a praça da Chamusca, a terra de toda a minha família, e de que o meu pai se orgulhava, e fizeram-nos uma coisa destas. Quiseram pôr em causa o nosso bom nome. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para esclarecermos o que se passou”, referiu.Reconhecendo que as pessoas tiveram toda a razão para reclamar e manifestar o seu descontentamento com o espectáculo a que assistiram, o representante da ganadaria reafirmou a sua confiança nos touros e recusou-se a acusar alguém ou a dar qualquer palpite sobre o que se passou. “Apenas garanto que os touros eram muito bons. Não houve qualquer mudança na sua alimentação e foram tratados como habitualmente. Vamos investigar e só depois de termos uma explicação concreta falaremos sobre o assunto”. Perante o descalabro, nem cavaleiros nem forcados tiveram qualquer hipótese para brilhar, ou simplesmente para entusiasmar o público. Por isso o motivo mais emocionante da corrida foi na altura em que Vítor Rosa, que durante mais de uma década foi considerado um dos melhores forcados em actividade, despiu a jaqueta das ramagens e a entregou ao cabo dos Forcados Amadores da Chamusca, Nuno Marques. Um abraço selou a passagem de testemunho perante o numeroso público que aplaudiu de pé durante largos minutos. O mau tempo que se fez sentir na tarde de sábado, 22 de Maio, levou ao cancelamento da corrida anunciada para essa noite. Apesar de à hora marcada a arena já ter condições para receber o espectáculo a decisão já estava tomada.
Toiros não se aguentavam em pé

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