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“Não estava obcecado com a subida”

Rogério Ribeiro foi considerado o melhor árbitro do distrito mas não embandeira em árbitro

Rogério Ribeiro foi considerado o melhor árbitro distrital da época que agora terminou pelo Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém. Aos 27 anos, o árbitro de Santarém cumpre um objectivo que perseguia desde que há seis anos começou a apitar jogos, mas que não o obcecava.

Edição de 26.05.2004 | Desporto
Diz que o ano passado até esperava um pouco mais pela subida, mas reconhece que nem tudo lhe correu bem e, este ano, fez uma época mais regular.O título de melhor árbitro do distrito teve como consequência a subida aos quadros nacionais. Os testes foram feitos no sábado e correram bem, apesar do nervosismo que sentiu. “Estava extremamente nervoso porque não me queria desiludir a mim, nem ao conselho de arbitragem.A avaliação escrita, física e oral foi positiva, e na próxima época, Rogério Ribeiro vai apitar jogos da terceira divisão e das camadas jovens. A terceira divisão não é uma novidade uma vez que já arbitrou vários jogos desse escalão, embora como árbitro assistente, o que não é bem a mesma coisa.Pelo menos um dos seus auxiliares deverá continuar consigo na próxima época, estando os outros dois nomes que terá de indicar ainda incertos. O trabalho com os assistentes é uma das coisas que gostava de melhorar na próxima época. A vida pessoal e profissional de cada um não tem permitido que treinem muito em conjunto, o que é sempre complicado. O normal tem sido cada um fazer o seu trabalho específico, mas para o ano haverá pelo menos o esforço de tentar alterar a situação.Com os pés bem assentes no chão, Rogério Ribeiro não pensa para já em novas subidas. Quer dar um passo de cada vez, sabe que a responsabilidade na terceira divisão é maior, mas isso não lhe retira o sono. “Vou até onde conseguir mas o importante é trabalhar com seriedade”, diz.Como muitos colegas, Rogério Ribeiro não é um adepto da profissionalização dos árbitros. “Um árbitro abdica da carreira profissional, dedica-se à arbitragem e de um momento para o outro as coisas correm-lhe mal e desce de divisão. O que é que vai fazer então, vai para o desemprego?”, questiona, acrescentando que prefere o modelo da semi-profissionalização, como agora acontece na primeira categoria nacional.Um ex-jogador com o “bichinho” da arbitragemRogério Ribeiro jogou vários anos futebol na Académica de Santarém, onde percorreu os diversos escalões de formação. Como sénior esteve dois anos no Inatel, ao serviço do Almoster, mas sempre teve o bichinho da arbitragem. Na escola era ele quem apitava muitos dos jogos entre turmas e mesmo enquanto jogador era hábito arbitrar jogos dos escalões inferiores. Quando deixou de jogar, alguns amigos árbitros convenceram-no a experimentar, fez o curso, gostou e nunca mais parou.Nos seis anos que leva de arbitragem só passou por uma situação mais complicada, mas que acabou por se resolver. Foi no seu segundo ano de arbitragem, quando ainda era assistente. Houve um jogo que a equipa da casa perdeu e no fim do jogo alguns adeptos decidiram perseguir a equipa de arbitragem. Rogério e os colegas pararam no posto da GNR mais próximo e a coisa acabou ali.De resto são as habituais bocas e insultos que, com o hábito, acabam por entrar por um ouvido e sair pelo outro. “Nós lá dentro ouvimos qualquer coisa, mas temos de estar concentrados no jogo. Onde não sentimos o público a chamar nomes ou a vibrar até estranhamos”, diz com um sorriso. No seu entender, o maior problema é que as pessoas não estão educadas para respeitar que a equipa adversária possa ganhar e o árbitro acaba por ser o bode expiatório das derrotas.Mas as críticas também magoam, sobretudo pela dose de injustiça que carregam. “Por vezes levantamo-nos às 6h30 da manhã, fazemos dois jogos de manhã e um à tarde, chegamos aos campos e ouvimos dizer que vamos ali só para ganhar dinheiro e que somos isto e aquilo e é claro que isso magoa-nos”, lamenta.“Nós convidamos um miúdo de 16 anos para ir fazer um jogo connosco. Ele vai e quando entra em campo é enxovalhado. É claro que começa a pensar que se levantou às sete da manha e que não quer ser tratado daquela maneira e opta por desistir e ir para a discoteca e ficar a dormir até às 3 da tarde”, complementa.Discreto e nada polémico, Rogério Ribeiro não liga muito aos casos mais polémicos que vão envolvendo a arbitragem, nem mesmo a nível distrital, como aconteceu esta época em que um árbitro foi acusado de pedir dinheiro para facilitar resultados. “São casos que eu não conheço e que me passam ao lado porque o futebol não tem nada a ver com isso”, termina.

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