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Médico condenado por tráfico de droga exerceu ilegalmente

Médico condenado por tráfico de droga exerceu ilegalmente

Ainda o caso de usurpação de bens a idosa

Um médico de Alverca está suspenso da actividade pela Ordem dos Médicos desde Maio do ano passado por ter sido condenado por tráfico de droga. O clínico continuou a exercer medicina ilegalmente.

Edição de 26.05.2004 | Sociedade
Um médico de Alverca do Ribatejo, acusado de se te apropriado indevidamente de um apartamento e de 17 mil euros da conta de uma idosa de 83 anos residente naquela cidade, está suspenso pela Ordem dos Médicos, desde Maio do ano passado, mas continuou a exercer a actividade.A suspensão de cinco anos aconteceu depois de ter sido condenado a quatro anos de prisão efectiva por tráfico de estupefacientes. A pena foi aplicada no início da década de 90 e o médico recorreu da sentença, o que arrastou o processo, mas não evitou a pena.O recurso para lhe ser levantada a suspensão foi indeferido e a Ordem determinou que David Eusébio entregasse a sua carteira profissional. Obrigação que nunca cumpriu. O clínico David Oliveira Eusébio continuou a exercer medicina pelo menos até há duas semanas, como O MIRANTE confirmou num contacto feito junto da clínica onde trabalhou em Alverca do Ribatejo. O clínico foi suspenso pelo Conselho de Disciplina da Ordem dos Médicos da Região Centro e a pena foi mesmo publicada em Diário da República, no dia 23 de Maio de 2003. Segundo aquele organismo, a decisão teve a ver com o facto de o médico ter sido condenado por um crime grave. “Foi uma pena pesada para a altura”, como nos explicou uma inspectora chefe da Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra que recordou que a moldura penal para o tráfico de droga foi agravada entretanto. A mesma fonte da PJ revelou que o médico tinha até ligações a pessoas ligadas aos cartéis da droga da Colômbia. “E isso ficou provado no julgamento realizado no Tribunal Judicial de Alcobaça”, referiu.Ao Conselho de Disciplina da Ordem dos Médicos já chegou o processo da idosa Gracinda Neves Romão que acusa o médico de se ter apropriado dos seus principais bens. “O assunto está, neste momento, a ser analisado”, explicou a O MIRANTE o conselheiro Francisco Freire de Andrade. Segundo o responsável, David Eusébio “está a cometer uma grande ilegalidade”, pois ninguém pode exercer medicina em Portugal sem autorização da Ordem dos Médicos. “A sua inscrição na Ordem está suspensa, não pode exercer”, informou Freire de Andrade. “O não cumprimento da deliberação dará origem a um novo processo com complicações acrescidas para o clínico”, adiantou a mesma fonte. O mais estranho em todo este caso é o facto de David Eusébio continuar a passar receitas e a utilizar as respectivas vinhetas. Segundo a Ordem dos Médicos, isso só acontece por duas razões. Ou o clínico terá adquirido, antes de ter sido suspenso, uma quantidade significativa de vinhetas, ou a entidade que emite as vinhetas não foi informada da suspensão. Tal como já demos conta na última edição, David Eusébio é acusado de ter burlado uma octogenária, também residente em Alverca do Ribatejo. A acusação é feita por Augusto Loureiro, filho da idosa, que acabou por apresentar uma queixa na PSP, na Polícia Judiciária e nos serviços do Ministério Público do Tribunal Judicial de Vila Franca de Xira. Idosa confirma burlaDavid Eusébio conseguiu chegar junto da idosa, por intermédio de uma amiga da mesma., sob pretexto de lhe passar a prestar alguns cuidados de saúde. No entanto, isso “nunca chegou a acontecer”, como explicou a O MIRANTE Gracinda Romão. “Várias foram as vezes que ele veio a minha casa e trouxe pessoas estranhas. Em vez de me prestar cuidados de saúde, punha-se a mostrar a casa às pessoas”, referiu. “O que ele queria era vender-me a casa, mas como não conseguiu acabou por se apropriar das minhas coisas”, acrescentou. A octogenária assegurou ao nosso jornal que nunca quis vender a casa, e muito menos dá-la ao médico. “Hoje em dia ninguém dá nada a ninguém”, acrescentou. Ideia reforçada pelo filho, Augusto Loureiro, emigrante em França. “A minha mãe sempre foi muito agarrada ao dinheiro e era incapaz de dar a sua casa e o dinheiro que tinha no banco”.O MIRANTE voltou a tentar ouvir a versão do médico David Eusébio, mas apesar de várias tentativas esteve sempre incontactável.Mário Gonçalves
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