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Uma policía e quatro latas de salsichas

Uma policía e quatro latas de salsichas

Edição de 08.07.2004 | Aquelas férias...
Umas férias podem começar com uma discussão à volta de quatro latas de salsichas, na fronteira entre a Áustria e a Suíça. A mulher polícia queria saber se as latas eram para vender e cada vez se mostrava mais desconfiada com a risota que vinha do carro dos turistas portugueses. Foi há 14 anos, mas o médico António Branco, ex-coordenador da Sub-região de Saúde de Santarém, ainda hoje se ri quando fala do episódio.Ele e uns amigos iam a um congresso de medicina na Áustria, que durava três dias, mas decidiram prolongar a estadia por mais 12 dias, com visitas à Hungria e Suíça. “Quando íamos para passar a fronteira da Suíça, uma senhora polícia revistou-nos o carro e reparou em quatro latas de salsichas que tínhamos levado de Portugal”, conta António Branco.Quando a polícia lhes perguntou se as salsichas eram para vender não conseguiram resistir a uma gargalhada geral – “A senhora ficou desconfiada e aquilo ficou feio”. Depois de alguma conversa, lá passaram a fronteira em paz...com as quatro latas de salsichas que haviam de ser comidas mais tarde ainda com maior satisfação.Nessa viagem foram completamente à aventura, sem programas pré-definidos. Ficaram em tendas, dormiram em hotéis de cinco estrelas, vestiram fato e gravata mas também andaram maltrapilhos. Para quem gosta de comer, a comida come-se sempre, quer se goste mais ou menos. Mas há uns anos, na Holanda, o conceito não resultou. “Ou era eu que escolhia sempre mal ou a comida era mesmo má, não sabia a nada”. Felizmente que os restaurantes chineses, italianos e fast-food americanos existem em todo o lado...Férias que são férias têm de ter uma dose de aventura, embora controlada. Como na viagem que fez em grupo aos países nórdicos, que aconselha vivamente. Para o médico não há nada pior que ir de férias com tudo programado ao milímetro. “Perde-se a boa disposição num instante quando temos horas para visitar isto e aquilo e andamos sempre a olhar para o relógio”.Esteve no Brasil e veio de lá com a certeza de que viver na Europa é óptimo. O que mais o impressionou nos Estados Unidos foi a opressão policial, implícita na chegada – “quase que tinha de dizer que não conhecia nenhum comunista. Ficamos com a sensação de que somos culpados de alguma coisa”.Considera-se medroso demais para visitar países árabes. A África só foi em trabalho e ao Oriente só irá quando os aviões forem mais rápidos. “É muito tempo lá em cima”. Da juventude recorda os amores de Verão que vinham e iam conforme a maré, as férias na Figueira da Foz com a família e na Nazaré com os amigos, numa altura em que não havia regras para cumprir. “Mas conseguimos nunca ir parar a uma esquadra”. Fez muito campismo, dormia em qualquer lado, mas hoje já não está para isso. “Não é por falta de vontade, é por falta de jeito”. E de saúde, que a idade já pesa.
Uma policía e quatro latas de salsichas

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