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Louvar Deus com o fado

Louvar Deus com o fado

Mais de 300 pessoas assistiram a missa inédita em Vila Franca
Edição de 07.07.2004 | Cultura e Lazer
Se nos últimos anos, por altura do Colete Encarnado, a missa na Igreja Matriz de Vila Franca de Xira era celebrada ao som de cânticos em espanhol, este ano o fado foi rei. A igreja recebeu mais de 300 pessoas, e à porta, em frente a duas telas gigantes, largas dezenas de crentes e adeptos do fado amontoaram-se para assistir a todo o cerimonial. Nem o vento que se fazia sentir, na noite do dia 2 de Julho, desmoralizou os menos precavidos. “Quem corre por gosto não cansa”, explicou Teresa Arcadinho, uma das muitas devotas que assistiam à missa através das telas gigantes onde eram projectadas as imagens do interior da Igreja. “Para além de gostar muito das missas dadas pelo padre Vítor Gonçalves, que influencia de forma positiva toda a assistência, também estou a gostar muito do que estou a ouvir, porque adoro fado”, confessou.Já para Maria Amélia, outro elemento da assistência, a experiência não é nova. “Já assisti a missas em fado, inclusive com o Grupo “In Nomine”, que costuma também participar na celebração da missa na Igreja do Sacramento, em Lisboa. Para mim é um prazer ouvi-los aqui, na minha terra”, disse a O MIRANTE, sem esconder um sorriso.Num momento de reflexão, tanto o grupo convidado como o pároco de Vila Franca fazem um balanço bastante positivo de toda a experiência, em especial porque o ambiente dentro da igreja estava muito sereno. “Para além de ser sempre muito agradável cantar dentro de uma igreja, todos sentimos que o aplauso final das pessoas foi sentido”, disse Filipa Galvão Teles, fadista desde os 18 anos.E foi precisamente essa uma das partes que mais tocou o pároco Vítor Gonçalves, que aguardou pacientemente pelo fim da cerimónia para homenagear, de forma calorosa, o trabalho de todo o grupo. “Ao ouvir trechos, que regra geral costumo entoar, serem cantados de forma tão sentida, tanto eu como a assistência tivemos sempre vontade de os aplaudir, mas conseguimos guardar as palmas para o fim”, confessou. Mas para que não existam dúvidas, quanto à possível união entre o fado e a liturgia, Vítor Gonçalves esclarece: “Deus também pode ser louvado desta maneira. O importante é que se viva e mantenha a espiritualidade da eucaristia”.Quanto ao futuro, a Deus pertence, mas depois da experiência dos cânticos em espanhol, e da missa em tons de fado, no próximo ano, por altura do Colete Encarnado, o padre Vítor Gonçalves não exclui a hipótese de voltar a surpreender os fiéis, quem sabe trazendo um grupo que cative não só os mais velhos, como também os jovens do concelho.
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