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Salter Cid defende privatização das Lezírias

Autarcas e populares temem a força dos privados
Edição de 07.07.2004 | Economia
O presidente do conselho de administração da Companhia das Lezírias (CL) defendeu a privatização da empresa e mostrou-se convicto de que a empresa pode manter as suas características depois de passar para as mãos dos privados. Salter Cid, que dirige a empresa há ano e meio, foi um dos oradores dum debate promovido pela Junta de Freguesia de Samora Correia, na segunda-feira, 5 de Julho. O gestor sentiu a apreensão dos presidentes das juntas de Samora e Vila Franca de Xira e do vice-presidente da Câmara Municipal de Benavente que reafirmaram a sua oposição ao processo de privatização anunciado pelo governo. “Numa privatização, os interesses económicos sobrepõem-se sempre aos interesses colectivos”, referiu o representante da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho. Os autarcas e um conjunto de populares que intervieram no debate, com 60 participantes, receiam que o enorme pulmão verde seja transformado em betão e que a história de mais de 168 anos da maior empresa agrícola do país seja interrompida para dar lugar a interesses especulativos na área da construção e turismo.José Capucha do movimento cívico do concelho de Vila Franca de Xira-Xiradania disse não existirem garantias de que o governo consiga resistir à pressão dos investidores imobiliários. “Ainda a CL não foi privatizada e já temos um projecto turístico para o Cabo de Vila Franca”, referiu.Salter Cid elogiou o projecto apresentado recentemente e sublinhou que, correndo o risco de ser criticado, confiou o projecto a um grupo de empresários da região porque “é preciso sentir a Companhia”.O administrador disse perceber os receios da privatização da empresa e admitiu que os privados não cuidam tão bem do património quanto o Estado, mas insistiu nas vantagens duma privatização cuidada que defenda o interesse público. “A CL não pode deixar de ser a Companhia que hoje conhecemos”, disse. “Não queremos repetir o exemplo de Alcochete a Almada, queremos manter este cenário único entre Alcochete e Benavente”, disse.Salter Cid considerou negativa a rotação dos gestores em função dos resultados eleitorais e admitiu que o seu lugar possa estar a prazo, num cenário de eleições legislativas antecipadas. “Seria bom ter um administração 20 anos para poder fazer uma planificação para uma geração”, disse.Para aliviar a onda de pessimismo vigente, o gestor frisou que há bons exemplos de privatização em Portugal. “Nem tudo o que foi privatizado é mau”, disse o presidente da CL. Como exemplo, Salter Cid falou do caso da Enatur que privatizou uma parte das pousadas portuguesas, mas criou uma empresa pública para gerir os monumentos nacionais. Salter Cid lembrou ainda que, como gestor já participou nas privatizações do Banco Pinto e Sotto Mayor e da Portugal Telecom, empresa onde foi requisitado para ir para a CL, e considerou positiva a evolução das empresas privatizadas.O gestor contrariou o argumento de que o Governo quer vender a jóia da coroa para fazer um grande encaixe financeiro. Segundo Salter Cid, a venda da CL pode valer 150 milhões de euros (30 milhões de contos), valor muito inferior ao da venda de parte da Galp.Autarquias e agricultores lançam abaixo-assinado Nos próximos dias será posto a circular um abaixo-assinado a exigir que o Governo recue na medida anunciada de privatizar a Companhia das Lezírias. A iniciativa partiu da plataforma que integra as autarquias dos concelhos de Benavente e Vila Franca de Xira, associações de agricultores, organizações não governamentais e um conjunto de personalidades individuais.O documento a que O MIRANTE teve acesso considera a privatização não justificada por qualquer razão de ordem económica ou ambiental e argumenta que a confirmar-se, a privatização será o aniquilar de uma empresa pública consolidada financeira e tecnologicamente.Entretanto a CGTP, através da União de Sindicatos do Distrito de Santarém, convocou para 16 de Julho, às 17h30 uma manifestação a que chamou Tribuna Pública. O protesto terá lugar na Praça da República, frente ao Palácio do Infantado, em Samora Correia, local que foi a sede da CL até 1976.

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