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Mudar de vida aos 46 anos

Mudar de vida aos 46 anos

Manuel Gonçalves, operador de Estações de Tratamento de Águas Residuais

Começou a trabalhar numa firma de produtos alimentares e esse foi o seu único emprego até aos 43 anos. Nessa altura, em 2000, Manuel Gonçalves viu-se na situação de desempregado porque a secção fechou. Três anos depois foi reintegrado no mercado de trabalho mercê do curso de Operador de Estações de Águas Residuais, que tirou no Centro de Formação de Tomar.

Edição de 07.07.2004 | Identidade Profissional
Manuel António Gonçalves, actualmente com 47 anos, ficou na situação de desempregado em 2000, após mais de 20 anos de trabalho numa firma de produtos alimentares. Sem grandes qualificações profissionais, porque a sua actividade era de técnico de produtos alimentares, não lhe foi fácil arranjar emprego.Inscreveu-se no Centro de Emprego, foi a várias entrevistas, mas as hipóteses de arranjar novo emprego terminavam infrutíferas.“Foi a várias entrevistas e todos falavam na idade. Eu sentia-me capaz de continuar a trabalhar e nem entendia essa história da idade. Chegaram a perguntar-me se tinha saído da empresa para me reformar”, recorda agora com alguma ironia.Tentou estabelecer-se por conta própria, fazendo uma sociedade com a mulher que, na altura, tinha uma loja de molduras por medida. Mas teve medo e, segundo diz, “ainda bem”. O comércio também estava a atravessar uma certa crise e há duas crianças para alimentar e uma casa para pagar.“Fui tentando”. Em meados de 2003, já a receber o subsídio de desemprego e a pensar que se não conseguisse mais nada teria de ir trabalhar para a construção civil, propuseram-lhe a frequência de um curso de Operador de Estações de Tratamento de Águas Residuais, no Centro de Formação de Tomar, e Manuel Gonçalves inscreveu-se.“Precisava de arranjar emprego, aquilo não era vida”. Durante 10 meses, Manuel Gonçalves fez o caminho entre Alferrarede, concelho de Abrantes, e o Centro de Formação de Tomar. “Tínhamos um subsídio de 45 euros diários para as deslocações e como ia com um colega num carro a gasóleo, o subsídio dava”.A acção era completada com um estágio integrado e com exames finais. Manuel Gonçalves conseguiu um estágio na firma Ar Abrantes - Captação, Tratamento e Distribuição de Água, responsável pela manutenção e funcionamento das estações de tratamento de águas residuais e estações elevatórias no concelho de Abrantes. E antigo técnico de produção alimentar acabou o estágio num dia e no outro começou a trabalhar.“Foi muito bom. Vou para o trabalho de bicicleta, estou a dois quilómetros de distância, até faz bem para manter a forma”, confessa.A idade que, segundo conta, era referida como um ponto negativo nas entrevistas a que foi, não lhe causou qualquer problema na frequência do curso, nem na mudança da actividade profissional.“Não foi difícil. A engenheira que nos deu formação explicou-nos tudo, depois foi só começar a trabalhar”, confessa acrescentando que só sentiu um pouco dificuldade em trabalhar com electricidade. “Neste campo o curso não foi tão pormenorizado, mas também não levanta problemas. Adaptei-me muito bem”.Tão bem que afirma gostar muito mais do trabalho que exerce actualmente do que da antiga profissão, na Victor Guedes, no Rossio ao Sul de Abrantes. “Estávamos sempre fechados, agora ando sempre de um lado para o outro e o trabalho nunca é igual”.São dois grupos de trabalhadores que fazem a manutenção e mantêm em funcionamento as cerca de 50 instalações de tratamentos de águas residuais, incluindo as estações elevatórias, do concelho de Abrantes.Manuel Gonçalves começa a trabalhar às 08h00 e acaba o dia às 17h00 e diariamente percorre várias estações. “Há sempre novos problemas que temos de resolver, ou por lixos que vêm juntamente com os efluentes, ou excesso de areias, ou os órgãos (aparelhos) que é necessário lavar e verificar o funcionamento”, explica.Com o tempo, a decisão de não arriscar na loja de molduras provou ser a mais acertada. A loja fechou e a mulher de Manuel Gonçalves ficou desempregada. Actualmente, está a tirar uma acção de formação também através do Centro de Formação para cuidar de idosos.“Quando fechámos a loja ela foi logo trabalhar com idosos e as pessoas com quem trabalhou acham que ela tem jeito. Fez um contrato de seis meses e eu convenci-a a tirar um curso no Centro de Formação: Eu dei-me bem e entusiasmei-a a fazer o mesmo”.Margarida Trincão
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