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A pedreira que ficou famosa

A pedreira que ficou famosa

Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios comemorou décimo aniversário

O Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra D’Aire e Candeeiros comemorou dez anos. De uma maneira informal, as pessoas que directa, ou indirectamente, estão ligadas ao projecto contaram histórias pouco conhecidas acerca da descoberta e do que se lhe seguiu.

Edição de 07.07.2004 | Sociedade
Não houve festa com pompa e circunstância nem se cortou nenhuma fita nas comemorações dos dez anos de vida do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios. Porque, como disse o director do monumento, José Alho, “não é preciso inaugurar nada para se comemorar um aniversário”.Foi de um modo completamente informal que os que ajudaram a tornar o monumento numa realidade falaram das suas experiências, contaram histórias à volta da concretização do projecto e perspectivaram o futuro.Uma coisa é certa, se a pedreira do Galinha não existisse nunca teria sido descoberta qualquer pegada de dinossáurio no Bairro, concelho de Ourém. E foi mesmo uma feliz coincidência que levou à descoberta, como contou Rui Galinha, ex-proprietário da pedreira.“A laje, onde estão as pegadas, só tem aquela dimensão porque eu tinha que ir todos os dias para Lisboa com o meu pai, que estava doente e como não tinha tempo para mandar fazer o desaterro da parte exterior da pedreira mandei os homens avançar no interior, aumentando o tamanho da laje para o que é hoje”, contou Rui Galinha.O ex-proprietário da pedreira referiu também, em tom de brincadeira, que após o geólogo João Carvalho ter descoberto as pegadas por um acaso, os experts na matéria fizeram duas reuniões junto à pedreira sem ele, o dono, saber de nada.“Um dia cheguei à pedreira e estavam cá todos – o João Carvalho, a directora do Parque (da Serra D’Aire e Candeeiros) e o professor Galopim de Carvalho, o que me levou logo a exclamar um «que diabo se passa aqui»”.O que se passava é que já todos tinham dado uma olhada nas pegadas e tinham a certeza de ter descoberto algo fantástico e invulgar, que teria de ser preservado. “Considere a pedreira encerrada a partir de agora” disse então o professor Galopim de Carvalho, expoente máximo português no estudo dos dinossáurios e director do Museu Nacional de História Natural, para o incrédulo Rui Galinha que, como confessou, nem conseguia ver onde estavam as benditas pegadas.Benditas porque não lhes aconteceu como a muitos outros monumentos naturais, deixados ao abandono – “hoje sinto-me orgulhoso por a pedreira ter tido um futuro”, confessou o ex-proprietário, que, segundo os responsáveis pelo monumento, teve “visão”, ao esperar dois anos e meio pela conclusão das negociações com o Estado. Com a pedreira fechada.Como disse José Alho, director do monumento, valeu a pena parar a pedreira e optar pela preservação de um espaço que “conta” histórias passadas há milhões de anos. “Quisemos que este não fosse mais um monumento aberto mas parado no tempo”.É por isso que em 1999 foi inaugurado o centro de animação ambiental, com realização de campos de férias. Que dois anos depois é aprovada a candidatura ao Programa Ambiente e que, em Outubro de 2002, nasce o jardim Jurássico e o “Aramossáurio”. No domingo, enquanto se contavam histórias à volta da sobrevivência das pegadas, dezenas de pessoas chegavam para visitar o parque, engrossando as estatísticas que conferem ao Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios um número de visitantes que ronda os 55 mil por ano.
A pedreira que ficou famosa

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