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Azambuja luta contra o fim das urgências nocturnas

Azambuja luta contra o fim das urgências nocturnas

Abaixo-assinados mobilizam utentes e autarcas

As emergências nocturnas no concelho de Azambuja vão ser enviados para o Hospital de Vila Franca a partir de 25 de Julho. A falta de médicos é a justificação para o encerramento do centro de saúde no período entre as e as 22h00 e as 09h00.

Edição de 07.07.2004 | Sociedade
Dezenas de utentes do concelho de Azambuja já subscreveram os abaixo-assinados de protesto contra o encerramento do serviço nocturno do Centro de Saúde local. A unidade funciona actualmente 24 horas por dia, mas deverá deixar de garantir o atendimento médico durante a noite, entre as 22h00 e as 09h00, a partir do dia 25 de Julho.Em causa está o facto de vários clínicos que ali prestam serviço terem mais de 50 anos e, tal como prevê a lei, poderem pedir isenção de trabalho nocturno. Habitualmente, o serviço nocturno é suspenso em Agosto devido ao período de férias, mas este ano a suspensão será mais cedo e já não reabrirá em Setembro Na última reunião de câmara, realizada na quinta-feira, foi aprovada por unanimidade uma moção do presidente da autarquia, Joaquim Ramos, que sugeria a elaboração de um abaixo-assinado, tendo como primeiros subscritores os elementos do executivo.O abaixo-assinado da Câmara Municipal de Azambuja não é o único a circular pelo concelho de Azambuja, uma vez que algumas semanas antes dois grupos de cidadãos já tinham tomado a iniciativa espontânea de recolher assinaturas. Os documentos circulam por vários estabelecimentos comerciais do concelho e estão a mobilizar a população. Para a maioria dos utentes é uma decisão que não faz qualquer sentido. “É uma distância muito grande até Vila Franca e o hospital já está sobrecarregado. Em vez de dividir estão a concentrar”, desabafa Maria de Fátima Patrício, 55 anos.A mesma opinião tem Maria Guilhermina, 62 anos, que por várias vezes já recorreu à unidade de saúde durante a noite. “Vão obrigar as crianças com anginas a ir para Vila Franca. Aqui nem sequer temos médicos particulares. Se for coisa para morrer chegamos ao hospital já mortos”, lamenta.A câmara municipal, que já apresentou à Administração Regional de Saúde (ARS) a preocupação sobre o fim do serviço nocturno, dispõe-se também a encontrar em conjunto soluções que garantam o funcionamento ininterrupto.Joaquim Ramos garantiu que a autarquia está disponível para suportar os custos do pessoal administrativo e de segurança durante o período nocturno, ficando a Administração Regional de Saúde com a responsabilidade de contratação dos médicos.O autarca acredita que existe ainda uma solução para evitar o encerramento se a ARS estiver disponível para recorrer a empresas privadas de médicos de forma a garantir o funcionamento nocturno. “Estamos a falar de um período de tempo que pode significar vida ou morte. É uma matéria de grande importância”.A unidade de saúde, que serve as nove freguesias do concelho, conta com 13 médicos, três dos quais já não fazem atendimento nocturno. A partir do final de Julho mais cinco médicos deverão pedir isenção de trabalho à noite, ficando um número manifestamente insuficiente de clínicos para assegurar a continuidade do serviço.Com o fim do serviço nocturno o único apoio hospitalar passa a ser o Hospital de Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira, que a autarquia considera distante do concelho, com difíceis acessibilidades e superlotado.O MIRANTE contactou a sub-região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo, mas até à hora de fecho da edição não foi possível obter qualquer comentário.
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