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Fogo matou milhares de galinhas

Três aviários destruídos por incêndio em Barca Nova, Tomar

Três aviários arderam na sexta-feira passada num incêndio que deflagrou na Barca Nova, freguesia de São Pedro, Tomar. Milhares de aves morreram carbonizadas.

Edição de 07.07.2004 | Sociedade
O cheiro a carne queimada pairava no ar na sexta-feira, na zona de Barca Nova, Tomar. Dentro dos três aviários do grupo Citaves milhares de galinhas carbonizadas jaziam, à mercê das moscas que, quais abutres, pousavam nos animais mortos. Há uma semana, no primeiro grande incêndio da região, os bombeiros conseguiram proteger das chamas os aviários mas nesse dia foram incapazes de suster as labaredas altas.Fernando Jorge, um dos proprietários do grupo Citaves, ainda hoje não consegue tirar da cabeça as imagens macabras das suas galinhas a tentarem fugir das labaredas que irrompiam por entre as janelas dos aviários. Sem sucesso. Os bombeiros que acudiram ao fogo, o segundo no espaço de uma semana naquela zona, não conseguiram desta vez parar as chamas.“Ainda naquela manhã tínhamos inaugurado o sistema de arrefecimento interior computadorizado nos pavilhões”, lamentava-se Fernando Jorge, adiantando que embora ainda não tenha feito as contas, o prejuízo é certamente superior a 500 mil euros. O proprietário confirmou ao nosso jornal que tem seguro, mas este só cobre parcialmente os prejuízos.De acordo com Fernando Jorge, os dois pavilhões maiores valiam cerca de 125 mil euros e o terceiro, mais pequeno, um pouco menos. Os três ficaram irremediavelmente destruídos. As 15 mil aves – galinhas reprodutoras e respectivos machos – que se encontravam lá dentro ficaram carbonizadas. Valiam cerca de 225 mil euros.Na casa das máquinas de um dos pavilhões, o fogo poupou apenas algumas paletas de ovos, empilhadas a um canto. Tudo o resto ficou reduzido a cinza ou inutilizado, como as máquinas retorcidas.No sábado à tarde, 24 horas depois do fogo ali ter passado, o cenário era desolador. O que antes foi pinhal e terra de semeadura estava agora mascarrado de preto, sob uma camada compacta de cinza que aqui e ali ainda deitava fumo.Pior era a visão do interior dos aviários. Milhares de galinhas jaziam ao longo do espaço, por entre as calhas retorcidas onde, horas antes, debicavam com satisfação o milho. Algumas galinhas estavam em pequenos grupos, o que leva a crer que tentaram proteger-se, juntando-se umas às outras.Aqui e ali, mais junto à entrada dos aviários, ainda se viam algumas cristas vermelhas, de aves parcialmente queimadas. Era aí que centenas de moscas zumbiam freneticamente, enquanto se serviam do manjar macabro.A cinza ainda estava quente e junto a algumas aves saíam pequenas colunas de fumo, dando ao ar um odor adocicado e enjoativo.Em apenas uma semana a população de Ervideiras e Barca Nova tiveram as chamas à porta. E se no primeiro incêndio as habitações foram salvas, desta vez houve quem tivesse menos sorte. Neste caso o grupo Citaves. E 15 mil galinhas poedeiras.Margarida Cabeleira

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