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Patronato de Santa Isabel muda de mãos

Patronato de Santa Isabel muda de mãos

Misericórdia de Abrantes deve assumir a gestão da instituição

A direcção do Patronato de Santa Isabel decidiu extinguir a instituição, nomeando para o efeito uma comissão liquidatária. Dificuldades financeiras estão na origem da decisão. A Misericórdia de Abrantes deverá assumir a gestão.

Edição de 07.07.2004 | Sociedade
O Patronato de Santa Isabel, em Abrantes, vai ser extinto nos moldes em que actualmente existe. A sua passagem para a alçada da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes e a introdução de uma nova valência para acolhimento temporário de jovens são cenários que se apresentam como muito viáveis à continuação da instituição. Em carta enviada a várias entidades ligadas ao acolhimento e protecção de menores, Horácio Sousa, director da instituição, afirma que o Patronato não tem “recursos financeiros para suportar os custos de manutenção e funcionalidade” da instituição que acumula um passivo de mais de vinte mil euros.A posição agora tomada em assembleia geral surpreendeu o director do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém. António Campos disse a O MIRANTE que em Maio último tinha havido uma reunião entre a Segurança Social, a Câmara de Abrantes, a Misericórdia e o Patronato no sentido de se encontrarem soluções e “tudo parecia encaminhado”.A câmara faria o projecto de adaptação para a criação de um Centro de Acolhimento Temporário (CAT), a Segurança Social arranjaria o financiamento para as obras e o Patronato passaria para a posse da Misericórdia.Horácio Sousa confirmou que essa será a solução e quando questionado sobre o passivo, dívidas a fornecedores e outras, o responsável adianta que a comissão liquidatária tem autonomia para decidir dos bens patrimoniais da instituição: “Vamos vender um prédio rústico que é suficiente para pagar os 20 ou 25 mil euros que estão em dívida”.Acrescentou ainda que a extinção do Patronato como instituição de acolhimento de crianças e raparigas “nunca esteve em causa”, mas sim a sua continuação nos actuais moldes. Horácio Sousa é também provedor da Santa Casa da Misericórdia e, por isso, “não queria ser ele” a decidir em causa própria a passagem do Patronato para a Santa Casa. Mas confirma que o processo está em cima da mesa e essa deverá ser a solução.O Patronato de Santa Isabel acolhe, actualmente, 26 raparigas dos três aos vinte e pouco anos, tem 14 funcionários para além de uma psicóloga e de uma assistente social. Por cada uma das crianças e jovens recebe cerca de 400 euros mensais da Segurança Social, contando também com as quotas dos sócios, rendas mensais de alguns bens e de donativos esporádicos.Verbas que segundo Horácio Sousa são insuficientes para manter a instituição. A criação de um CAT também trará alguns proveitos dado que a comparticipação da Segurança Social para crianças e jovens em acolhimento temporário é superior.A instituição foi criada em 1921 com o nome de Sopa dos Pobres por ini-ciativa da mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, mas sempre funcionou com estatutos próprios. Oitenta e três anos depois a Misericórdia poderá tomar conta do Patronato, “uma instituição demasiado importante para se deixar perder”, afirma António Campos.Margarida Trincão
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