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Poluição sem solução

Poluição sem solução

Ministro do Ambiente vai reunir-se com autarcas e empresários do Alviela em busca de respostas

O Alviela continua a ser alvo de descargas poluentes. O Ministério do Ambiente vai reunir-se com várias partes interessadas na tentativa de se encontrar uma solução.

Edição de 07.07.2004 | Sociedade
O ministro do Ambiente vai reunir-se com autarcas, empresários e a associação que gere a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena para procurar uma solução para a recuperação do sistema, disse sexta-feira à Agência Lusa fonte do ministério.Segundo a fonte, o ministro Arlindo Cunha reconhece a existência de um problema no sistema de tratamentos de águas residuais (ETAR) de Alcanena, que trata os resíduos das indústrias de curtumes de Alcanena. A solução pode estar na reconversão da rede de colectores, que se encontra bastante degradada permitindo a infiltração de águas pluviais na rede de esgotos que são tratados na ETAR. Sempre que chove demais o caudal que dá entrada na ETAR aumenta substancialmente devido a essas infiltrações. Para manter a eficácia no tratamento, dado que a capacidade da estação é limitada, parte desses efluentes, alguns oriundos das fábricas de curtumes, são desviados para o Alviela sem qualquer tratamento. Com os inevitáveis efeitos nefastos para o ambiente.Aliás, desde o início da semana passada que o Alviela voltou a ser cenário de mortandade de peixes, uma situação que se tem vindo a repetir nos últimos meses e que os autarcas receiam indiciar um retrocesso no processo de recuperação do rio iniciado no final dos anos 90.Contudo, a Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Resíduos de Alcanena (AUSTRA) refuta desta vez qualquer responsabilidade nos problemas ocorridos, atribuindo-os a uma redução de descargas a partir da nascente, o que não permite a existência de quantidade de água suficiente para diluir a água tratada que sai da ETAR com uma cor castanha escura.A situação foi denunciada pelo presidente da junta de freguesia de Vaqueiros, Firmino Oliveira, que endereçou uma carta ao gabinete do secretário de Estado do Ambiente e cujo teor é já do conhecimento do ministro, disse a fonte do Ministério das Cidades, do Ambiente e do Ordenamento do Território.Também a Comissão do Ambiente e do Alviela da Assembleia Municipal de Santarém enviou um “SOS” a Arlindo Cunha, solicitando a sua “intervenção e medidas imediatas (Ó) no sentido das descargas de água para manutenção do caudal ecológico, como estava determinado”.Para a comissão, a situação desenha-se “como uma catástrofe ambiental anunciada, que põe em causa a sobrevivência de todas as espécies do Alviela, recurso natural que deveria ser recuperado e requalificado e é, infelizmente, uma fossa a céu aberto”.O presidente da Câmara de Santarém, Rui Barreiro, também tomou posição sobre o “inquietante aumento da concentração de poluição desde o dia 28 de Junho”, um cenário que “continua a inverter tristemente o processo de despoluição que com algum sucesso existiu até 2000/2001”.“A ausência de resposta para esta situação, por parte da administração central, implica o fim da vida existente neste ecossistema cada vez mais fragilizado”, afirma o autarca em comunicado.O MIRANTE/Lusa
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