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Um século de histórias

Um século de histórias

António Farrobista comemorou cem anos em Coruche
Edição de 07.07.2004 | Sociedade
Nem todos se podem orgulhar de chegar aos cem anos de idade com a energia de António Sousa Farrobista. Natural de Montemor-o-Novo, onde nasceu em 1904, mas a residir há quase 30 anos em Coruche, tem sido um exemplo de que a vida só termina quando tem de terminar. Apesar de ter completado 100 anos de idade, a 30 de Junho, António Farrobista levanta-se, dia-riamente às 05h30, para fazer a sua habitual caminhada por Coruche. O passeio, com umas pequenas paragens para falar com amigos que se cruzam no seu caminho, só termina por volta das nove. Da parte da tarde faz mais um pequeno passeio e diz que não perde uma única edição do telejornal. Tal como gosta de ver touradas e futebol.Aos 100 anos continua a ser “um bom faca e garfo”. Come de tudo, mas não bebe bebidas alcoólicas nem fuma. Apesar de já não ouvir muito bem, parece ter uma boa visão. No pulso esquerdo usa ainda o seu antigo relógio que serve para controlar a sua rotina diária. António Farrobista é conhecido por ser um grande falador. Quase todos os dias se encontra com pessoas que gostam de ouvir o que ele tem para contar. Quem nasceu passou por duas grandes guerras, viveu toda a ditadura e teve de habituar-se a saber lidar com as três moedas, tem certamente muito para relatar. Gosta de lembrar os 18 meses que esteve preso em Angra do Heroísmo. Conta que, ao estar na tropa em Vendas Novas, os seus superiores resolveram organizar uma revolução com vista ao derrube do poder vigente. Tudo aconteceu em 1927. No entanto, o golpe fracassou e cerca de 300 militares, onde se incluíam também vários sargentos e oficiais, foram levados para as “duras penitenciárias dos Açores”. Foram momentos difíceis que marcaram a vida de um homem que sempre se dedicou ao trabalho no campo. Bastante emocionado, não hesitou em dizer a O MIRANTE que o que mais lhe tem “custado na vida é ver familiares e amigos partirem à sua frente”. A sua mulher morreu há 21 anos. Dos quatro filhos que teve, dois já faleceram. Tal como os seus seis irmãos. Mas não se pense que António Farrobista está sozinho no mundo. No domingo, a família resolver assinalar o centésimo aniversário num restaurante de Coruche. À sua volta juntaram-se alguns dos seus descendentes. No total, tem dois filhos, 14 netos, 21 bisnetos e três trinetos. Como manda a tradição, ao idoso coube a tarefa de soprar as velas e cortar a primeira fatia de seu grande bolo de aniversário. “A melhor prenda que me podiam ter dado, foi juntar a família em meu redor”, referiu emocionado. Já quando se estava a servir o champanhe, a pessoa mais velha da freguesia de Coruche acabou por receber uma visita inesperada. A Câmara Municipal de Coruche enviou-lhe uma medalha municipal para assinalar a sua longevidade. Facto que o voltou a emocionar bastante. Mário Gonçalves
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