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Uma obra imperfeita

Uma obra imperfeita

Altura de túnel da Refer contestada pela população de Fungalvaz, Torres Novas

Em Fungalvaz, Torres Novas, há um túnel construído sob a linha ferroviária do Norte cuja altura impede a passagem para a aldeia de veículos pesados com mais de quatro metros de altura. A Refer diz que a culpa é de um ribeiro, a população afirma-se discriminada.

Edição de 07.07.2004 | Sociedade
Um autocarro de dois pisos consegue entrar no túnel que atravessa a linha férrea do Norte na aldeia de Fungalvaz mas não chega a sair. O ângulo encurta na zona da curva para a entrada na localidade e o veículo tem de voltar para trás sob pena de ficar preso pelo tecto. Há cerca de um ano a Refer estreou mais um túnel na linha do Norte, junto ao antigo apeadeiro de Fungalvaz, concelho de Torres Novas. Mas antes da obra estar feita já havia moradores a contestá-la. Tudo porque o túnel tem uma altura de quatro metros “mal medidos”.Vítor Francisco, empresário do ramo mobiliário que reside a poucos metros do túnel, observou o andamento das obras e um dia, ainda a via estava em terra batida, decidiu experimentar atravessá-lo com o seu camião. Em vão. Indignado, reclamou junto do empreiteiro.“Disse-lhe que a altura não era suficiente e que escreveria às entidades competentes porque estavam a fazer uma obra que penalizava a circulação de veículos mais altos”, refere o empresário, adiantando que o empreiteiro acabou por “escavar mais um pouco o túnel”. Hoje o camião passa, mas a manobra não é fácil.Apesar de rebaixado, o túnel sob a linha férrea continua a não ter altura suficiente para veículos com mais de quatro metros de altura. Para que nenhum motorista acabe por ficar com o veículo preso, foram colocadas baias limitadoras de altura a meia dúzia de metros da entrada do túnel.Em cada lado do túnel há também sinalização vertical a proibir a passagem a veículos com mais de 3,5 metros de altura. De acordo com as normas de projecto do Instituto de Estradas de Portugal, os túneis devem ter uma altura mínima de cinco metros. Embora não façam lei, as normas do IEP são geralmente seguidas em todas as obras públicas.Neste caso as normas não foram seguidas mas a Refer tem uma justificação – por baixo do túnel passa uma linha de água (ribeira de São Lourenço) o que não permitiu afundá-lo mais. “Esta é uma excepção”, refere fonte da empresa, adiantando que a dois quilómetros de distância há uma alternativa de entrada na aldeia, através de uma passagem aérea. De acordo com Rui Reis, responsável pelo departamento de comunicação da Refer, o túnel serve actualmente 99 por cento da população, e assim sendo cobre perfeitamente as necessidades dos habitantes.Quem não está de acordo com esta teoria é Carlos Mendes. O construtor civil diz que quando se fazem obras desta envergadura tem de se perspectivar o futuro e não pensar só no presente. “Isto é uma obra para ficar, não é temporária. Imagine-se que daqui a uns anos se faz aqui uma zona industrial, como é que os camiões passam?”, questiona.Carlos Mendes refere ainda que a Refer tinha outras alternativas para a construção do túnel. “Bastavam 50 metros de avanço ou recuo da obra para que o túnel já não passasse por cima da ribeira”, diz o empresário, adiantando que se gastou dinheiro e se expropriou terrenos para fazer uma obra imperfeita.
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